sexta-feira, 30 de março de 2012

Volks desiste de nova fábrica e vai ampliar Taubaté

A Volkswagen desistiu de construir uma nova fábrica no Brasil e optou por ampliar a capacidade da unidade de Taubaté (SP), que hoje concentra a produção do Gol. Além disso, destinará à fábrica de São Bernardo do Campo investimentos em novos modelos. O presidente da Volks, Thomas Schmall, se queixa do novo sistema de cotas para importar do México e ameaça reduzir as exportações para aquele mercado se a montadora tiver de ficar engessada a uma cota menor do que precisa.

A decisão da Volks de ampliar capacidade de fábrica já existente ao invés de construir outra foi anunciada no fim da tarde de ontem, por meio de uma nota, sem detalhes. Na noite de quarta-feira, durante o lançamento da nova picape Amarok, Schmall havia feito duras críticas à política protecionista do governo federal, com ênfase ao sistema de cotas de importação do México.

Diante da necessidade de aproveitar a expansão dos emergentes para tentar tornar-se líder do mercado mundial em 2018, a Volkswagen anunciou, no fim do ano passado, a necessidade de expandir capacidade no Brasil. Schmall informou que trabalhava com duas hipóteses: construir uma nova fábrica ou ampliar as existentes. A empresa, maior fabricante de veículos do Brasil, tem três fábricas no país, que no ano passado produziram 828,4 mil automóveis e comerciais leves.

Os governos de alguns Estados chegaram a negociar com a empresa. Mas os rumores de construção de nova fábrica acabaram facilitando as negociações que a montadora manteve nos três últimos meses com os sindicatos de metalúrgicos de duas bases: São bernardo do Campo e Taubaté. Nos últimos anos, a Volks tem conseguido negociar mais flexibilidade em benefícios trabalhistas e critérios salariais nas duas bases sindicais, mais radicais no passado.

Segundo Schmall, a empresa optou por não negociar com os sindicalistas de São José dos Pinhais (PR), onde está a fábrica mais nova. Já faz tempo que a Volks e outras montadoras reclamam do relacionamento conturbado com os dirigentes dos metalúrgicos do Paraná.

Schmall esteve na sede da companhia, na Alemanha, nos últimos dias, para acertar com a direção mundial as bases da opção pela ampliação da fábrica de Taubaté. Filiado à CUT, o sindicato de Taubaté anunciou ontem, após assembleia com trabalhadores, que, em menos de quatro anos, aquela será a maior fábrica da montadora alemã na América Latina.

Schmall queixou-se do fato da distribuição das cotas de exportação de veículos mexicanos para o Brasil ter ficado sob responsabilidade da entidade que representa a indústria automobilística daquele país, a AMIA. Segundo ele, a Volks foi responsável por 34 mil dos 54 mil veículos exportados pelo Brasil ao México em 2011. Mas, como importa daquele país em pequenos volumes acabou ficando com cota menor do limite anual de importações, fixado em US$ 1,45 bilhão. O critério, destacou o executivo, favorece as fábricas do México que mais exportam para o Brasil, como a Nissan.

"A Volks está fazendo seu papel de exportadora. Mas agora ficou complicadíssimo, pois só conseguimos exportar se pudermos compensar o prejuízo da exportação com importação", disse. Segundo Schmall, a montadora trouxe do México 16 mil unidades dos modelos Jetta e New Beetle em 2011. Pretendia chegar a 20 mil este ano. Mas, agora, com a fixação da cota, chegará a pouco mais de 13 mil.
"Desse jeito vão destruir a indústria automobilística; vamos voltar ao que éramos no passado", disse o presidente da Volks. "As incertezas fazem com que o risco no país aumente", completou.

O executivo considera favorável a ideia do governo de criar o sistema de pontos para reduzir a quantidade de impostos em carros com mais inovação tecnológica desenvolvida no Brasil, plano que está sendo preparado pela equipe econômica e que será anunciado nos próximos dias. "O problema é que não ficou claro quais vantagens terão os que já investem, como nós, e os que têm apenas a intenção", destacou. A montadora está em fase de aplicação de recursos que somarão R$ 8,7 bilhões até 2016. Entre os próximos lançamentos, está previsto um carro compacto, menor e mais barato que o Gol.

Fonte: Valor Econômico

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