quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Brasil quer recuperar dinheiro 'sujo' dos paraísos fiscais

O governo brasileiro quer lançar uma operação para fechar acordos com paraísos fiscais no esforço de tentar identificar e recuperar o dinheiro "sujo" que sai do País - fruto do crime organizado ou corrupção. Bahamas, Liechtenstein, Jersey e Cayman estão entre as prioridades para 2012.
Os paraísos fiscais estão entre os principais destinos dos investimentos brasileiros no exterior. As autoridades brasileiras estimam que até 2009 foram enviados oficialmente US$ 18,3 bilhões para as Ilhas Cayman, além de outros US$ 13,3 bilhões para as Ilhas Virgens Britânicas, US$ 10,2 bilhões para as Bahamas e US$ 4,3 bilhões para Luxemburgo. Todos admitem que o fluxo real e escondido da Receita Federal seja bem maior que esses números e é justamente essa parcela que a Justiça está interessada em identificar.
No início da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, o governo fez a mesma ofensiva. Mas os acordos que fechou com diversos países jamais foram aplicados e, na maioria dos casos, foram engavetados pelas autoridades estrangeiras, que resistem em abrir os dados sobre clientes com a Justiça de outros países. Os tratados previam a troca de informação sobre suspeitos.
O secretário executivo do Ministério da Justiça, Luis Paulo Barreto, é quem está avaliando a iniciativa e estima que os tratados fechados há quase uma década eram ambiciosos demais e que não interessavam aos paraísos fiscais, já que não tratavam apenas do dinheiro do narcotráfico ou armas, mas também de evasão de divisas.
Como estavam sendo pressionadas, essas autoridades estrangeiras acabaram fechando os tratados para mostrar que estavam dispostas a cooperar. Mas deixaram o tempo passar, criaram dificuldades administrativas para a implementação dos artigos e acabaram enterrando os projetos.
"Saímos das Bahamas convencidos de que tínhamos o melhor dos acordos e que poderíamos usá-lo para lutar contra a evasão de divisas, crime e outros problemas", contou Barreto, que na época era um dos negociadores dos acordos.
Na Suíça, um acordo prevê a troca de informações entre procuradores sobre suspeitos. Mas Berna levou anos para ratificar o tratado depois que o Brasil usou parte das informações sobre o ex-prefeito Paulo Maluf para processá-lo por evasão de divisas. Na Suíça, isso não é crime e, portanto, as informações não poderiam ser usadas dessa forma.
A estratégia agora será a de começar com acordos mais modestos, mas que sejam pelo menos aplicados. Barreto já começou a avaliar essa estratégia e deve levar o assunto adiante no início de 2012.

Fonte: O Estado de São Paulo

Presidente da Alpargatas ataca protecionismo do governo

A adoção de barreiras tarifárias para proteger a indústria nacional dos importados chineses vai gerar um efeito "nefasto".
Quem diz é Márcio Utsch, 53, presidente da Alpargatas, maior empresa de calçados e artigos esportivos do país em receita líquida (R$ 2,2 bilhões em 2010), dona de Havaianas e Topper e importadora de Mizuno e Timberland, informa reportagem de Mariana Barbosa publicada na Folha desta quinta-feira.

Diogo Shiraiwa/Editoria de Arte/Folhapress

"Enquanto a indústria internacional investe e se moderniza, a nacional não está preparada para viver sem proteção", diz.
Voz dissonante no meio empresarial, o executivo critica a adoção, no ano passado, de uma tarifa antidumping de US$ 13,85 para proteger o calçado nacional de importados asiáticos. Para ele, a prática é um "disparate".
"O consumidor tem acesso à internet. Ele compara com os preços lá de fora e acha que a gente aqui é ladrão. Já temos 35% de imposto de importação no calçado e colocamos mais a tarifa antidumping", afirma.
"Quem paga a conta do protecionismo são os consumidores."


Fonte: Folha de São Paulo

Temas de peso devem ser julgados pelo STF em 2012


Pelo menos dois temas de peso tanto para as finanças das empresas quanto da União deixaram de ser definidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) este ano. A expectativa é de que a discussão sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, além da cobrança dessa contribuição dos bancos, sejam julgadas em 2012
"As grandes questões ficaram para o ano que vem", diz o advogado Marco André Dunley Gomes, que acompanha julgamentos de temas fiscais nas principais Cortes do país, fazendo coro à percepção da maioria dos especialistas consultados pelo Valor.
Para 2012, portanto, é aguardado o julgamento da ação declaratória de constitucionalidade (ADC) nº 18. A análise definirá se é constitucional a inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins. Essa ação tramita no STF desde 2007, com o mesmo tema de um recurso extraordinário levado a julgamento um ano antes - mas não finalizado em razão de um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.
Na prática, excluir o imposto estadual do cálculo da Cofins - que incide sobre a receita bruta das empresas - significa recolher menos contribuição. Se a União perdesse a disputa, teria que devolver aos contribuintes cerca de R$ 84,4 bilhões pelo período de 2003 a 2008, conforme cálculo da Receita Federal presente na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2011.
Também terminou o ano sem definição o caso que discute quais tipos de receitas compõem o faturamento das instituições financeiras, para calcular a cobrança do PIS e da Cofins. A disputa envolve mais de R$ 40 bilhões, segundo a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. O STF definirá se a contribuição incide sobre as receitas geradas a partir da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros. O entendimento é defendido pela Fazenda, mas os bancos sustentam que a contribuição recai sobre os valores das tarifas cobradas dos clientes.
Embora tenha voltado à pauta do Supremo este ano, a discussão sobre a cobrança de IR e CSLL sobre os lucros de controladas e coligadas no exterior também continua sem resolução. Após quatro anos suspenso, o julgamento foi retomado, mas ainda depende de um voto do ministro Joaquim Barbosa, que estava ausente à sessão por questões de saúde.
Mas o Supremo definiu algumas questões tributárias importantes. Uma das principais diz respeito à aplicação da Lei Complementar 118 - que baixou de dez para cinco anos o prazo para as empresas pleitearem, na Justiça, tributos pagos a mais. Em agosto, o STF decidiu que a lei não deve ser aplicada de forma retroativa, mas fixou que o critério para avaliar qual prazo deve ser empregado é o momento de ingresso da ação. Por um lado, foi uma perda para os contribuintes, já que o STJ garantia o prazo de dez anos para tributos pagos até a publicação da lei.
"O ano foi desfavorável aos contribuintes no Supremo", diz o advogado Igor Mauler Santiago, do Sacha Calmon, Misabel Derzi Consultores e Advogados, para quem a maior parte das decisões tributárias da Corte favoreceu a Fazenda. Outra perda relevante para os contribuintes foi a conclusão de que o PIS e a Cofins incidem mesmo sobre as vendas a prazo inadimplidas - quando o consumidor não paga pelo produto. A tributação dos lucros das controladas do exterior também caminha para um resultado desfavorável às empresas.
Os contribuintes conseguiram ganhos em questões mais específicas, como a não incidência do ICMS sobre a venda de sucatas de veículos com perda total, e o prazo de 90 dias para valer o aumento do IPI dos veículos importados.
No STJ, uma questão importante que ficou para o ano que vem é a definição do conceito de insumo - fundamental para saber se as empresas podem ou não compensar alguns créditos de PIS e Cofins, como aqueles resultantes da compra de material de limpeza, serviços de higienização e dedetização. A 2ª Turma começou a julgar um processo sobre o assunto em junho, envolvendo uma empresa de alimentos. O julgamento foi interrompido por um pedido de vista.
Por outro lado, o STJ definiu algumas questões favoráveis aos contribuintes. Entre elas, a não incidência de IR sobre juros de mora recebidos em reclamatória trabalhista, e a impossibilidade de estorno de créditos de ICMS pelo Estado de destino de mercadorias beneficiadas por incentivos fiscais.
O Fisco também conseguiu alguns ganhos no tribunal, como a impossibilidade de as empresas deduzirem prejuízos das controladas no exterior, para a apuração do resultado da controladora nacional. Outra foi a avaliação dos precatórios pelo valor de mercado, e não pelo valor de face, em leilões resultantes de garantias de execuções fiscais. "O tribunal evoluiu e julgou questões relevantes, mas ainda vive uma crise de oscilação jurisprudencial", diz o advogado Luiz Gustavo Bichara, do Bichara, Barata & Costa Advogados.
A explicação recorrente para questões importantes terem ficado de fora da pauta do Supremo é de que a Corte estava ocupada com questões de política, como a Lei da Ficha Limpa e seus desdobramentos, além do processo do mensalão. O STJ, por sua vez, passou por mudanças recentes na composição das duas turmas de direito público, responsáveis pelos casos tributários, com a saída de três ministros: Luiz Fux, Hamilton Carvalhido e Eliana Calmon.


Fonte: Valor Econômico

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

INFORMAÇÕES SOBRE IMPORTAÇÕES E EXPORTAÇÕES PODERÃO SER DIÁRIAS

A Câmara analisa projeto que autoriza o Poder Executivo a divulgar, diariamente, os dados relativos a operações de importação e exportação. A proposta (Projeto de Lei Complementar 90/11), do deputado Zeca Dirceu (PT-PR), altera a Lei 5172/96, que dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, a Estados e Municípios. Caso o projeto seja aprovado, a divulgação das informações será feita independentemente de autorização judicial.
O autor afirma que as operações de importação podem desequilibrar a concorrência. "Uma informação fundamental não divulgada atualmente é a identificação das empresas e suas operações de importação e exportação de forma individualizada. Isso ocorre por causa de interpretação equivocada da atual legislação. O Brasil é singular nessa postura. Os demais países do Mercosul não restringem o livre acesso a tais informações", disse.
Segundo o deputado, muitas vezes, os preços praticados pelos outros países em transações comerciais com o Brasil são inferiores aos custos de produção internacionalmente reconhecidos, configurando prática de dumping, subfaturamento e outras manobras desleais e irregulares de comércio.
Para Zeca Dirceu, a imposição de segredo a transações meramente comerciais prejudica a competição e pode resultar em concentração, em prática desleal e em assimetria no tratamento de empresas concorrentes. "As informações acerca dos nomes de importadores e exportadores - pessoas físicas ou jurídicas -, das respectivas identificações fiscais, da relação de mercadorias, das quantidades importadas e exportadas podem e devem ser reveladas", defendeu.
Livre trânsito
Ele acrescentou ainda que um dos fundamentos da eficiência econômica é o livre trânsito de informações de mercado, inclusive nos casos de intercâmbio de informações no âmbito da administração pública, quando a transparência da ação do Poder Público se sobrepõe aos interesses individuais. "A não divulgação dessas informações, portanto, impede que seja dada publicidade a informações cruciais para a defesa da indústria nacional, garantindo o desenvolvimento nacional, a geração de empregos e a competitividade da produção brasileira", disse.
Tramitação
A proposta será analisada pelas Comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; de Constituição e Justiça e de Cidadania; e de Finanças e Tributação, inclusive no seu mérito. Depois seguirá para o Plenário.

Fonte: Agência da Câmara

GOVERNO PRORROGA MAIS UMA VEZ O PRAZO PARA PAGAMENTO DO IOF

O prazo para pagamento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre operações de crédito, câmbio e seguro ou relativas a títulos ou valores mobiliários incidente sobre as operações com derivativos foi prorrogado para o dia 31 de janeiro de 2012, de acordo com publicado na edição de hoje do jornal Folha de S. Paulo.

Fonte: Folha de S.Paulo

BRASIL É EXCLUÍDO DE PACOTES DE AJUDA

A transformação do Brasil na sexta maior economia do mundo - segundo ranking do Centro para Pesquisa Econômica e Negócios, de Londres - causou mudanças profundas na situação do País no cenário internacional. Por um lado, cria novas exigências do governo, além de excluir o País da lista de locais com prioridade para receber ajuda no combate à pobreza. Por outro, empresas e governos estimam que a oportunidade para expandir o comércio e fugir de mercados em depressão é focar as atenções em mercados emergentes, entre eles o do Brasil. Em 2012, pela primeira vez na história moderna, metade das importações mundiais serão feitas pelos países emergentes. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

Fonte: O Estado de S.Paulo

EXPORTAÇÃO SE CONCENTRA EM MENOS EMPRESAS

A consolidação das empresas no Brasil provoca uma concentração maior das receitas das exportações. Em 2004, as 40 principais empresas exportadoras ficavam com 40% das receitas da balança comercial brasileira. Neste ano, esse percentual atinge 53%. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, cuja lista das maiores exportadoras aponta, ainda, o crescimento das empresas ligadas ao setor de commodities nos últimos anos, de acordo com publicado na edição de hoje do jornal Folha de S. Paulo.

Fonte: Folha de S.Paulo

São Paulo veda o fornecimento de nota fiscal para devedor de ISS

O município de São Paulo suspenderá, a partir de 1º de janeiro, a emissão de nota fiscal eletrônica para os contribuintes inadimplentes com o Imposto sobre Serviços (ISS). A medida está na Instrução Normativa (IN) nº 19, da Secretaria de Finanças do município, publicada em 17 de dezembro.
Pela norma, estará impedido de emitir a Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e) quem deixar de recolher o ISS por quatro meses consecutivos ou por seis meses alternados durante um ano. Para voltar a imprimir a nota, o contribuinte não poderá ter mais de três meses seguidos em aberto ou cinco meses alternados.
Os estabelecimentos que contratarem serviços de empresas com autorização suspensa deverão preencher a Nota Fiscal Eletrônica do Tomador/Intermediário de Serviços (NFTS), reter na fonte e recolher o ISS devido.
Advogados afirmam que a norma viola a Constituição e contraria a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) que já tem entendimento pacificado de que o Fisco não pode interditar estabelecimentos ou apreender mercadorias como meio coercitivo para a cobrança de tributos. Em outra súmula, a Corte entende que "não é lícito à autoridade proibir que o contribuinte em débito "adquira estampilhas, despache mercadorias nas alfândegas e exerça suas atividades profissionais". "São precedentes para as empresas que se sentirem prejudicadas", diz o advogado Thiago Gonçalves Garbelotti, do Braga & Moreno Consultores e Advogados.
O tributarista Maucir Fregonesi, sócio do escritório Siqueira Castro Advogados, diz ainda que qualquer penalidade ao contribuinte precisa estar prevista em lei, e não em instrução normativa. "Além disso, é certo que a suspensão da emissão de NFS-e acaba por restringir a livre iniciativa garantida na Constituição".
O subsecretário da Receita municipal, Ronilson Bezerra Rodrigues, admite que a norma poderá gerar questionamentos judiciais, mas diz que não haverá cerceamento de atividades comerciais. "A intenção é apenas combater a inadimplência. Tenho certeza de que a maioria das empresas fará esforços para regularizar sua situação", diz. Segundo ele, cerca de 3,5% dos 314 mil que emitem NFS-e estão inadimplentes.
 
 
Fonte: Valor Econômico

Fazenda deixará de recorrer de 15 temas no Judiciário

A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) publicou 15 atos autorizando seus representantes a desistir de recursos envolvendo teses já consolidadas pelo Judiciário, de forma favorável aos contribuintes. Os procuradores deixarão de contestar ou recorrer de ações tratando desses temas, na Justiça e na instância administrativa. A Receita Federal também não fará lançamentos em relação a esses tributos e terá que rever aqueles que contrariem as novas medidas, num período retroativo de cinco anos.
Os atos declaratórios, publicados na semana passada no Diário Oficial da União, tratam de 15 situações. Uma delas é a incidência de Imposto de Renda sobre verbas de dano moral recebidas por pessoas físicas. "Estamos internalizando o entendimento do Judiciário de que não incide IR sobre as verbas recebidas pelo contribuinte a título de dano moral", diz o procurador-geral adjunto da Fazenda Nacional, Fabrício da Soller. Até então, a Fazenda tributava esses valores com o argumento de que representavam acréscimo patrimonial. Mas o Judiciário deu ganho de causa aos contribuintes, dizendo que a natureza é indenizatória.
Outro caso que afeta diversas empresas trata da incidência da contribuição previdenciária sobre o custo da alimentação fornecida aos trabalhadores. A Fazenda entendia que o chamado "auxílio alimentação in natura" tinha natureza salarial e, portanto, seu custo integrava a base de cálculo da contribuição previdenciária. Mas o Judiciário entendeu que não se trata de uma verba salarial, que, portanto, não compõe a base de cálculo da contribuição.
A PGFN também reconheceu a derrota em uma discussão envolvendo a contribuição para o Seguro de Acidente de Trabalho (SAT), cobrada em alíquotas variáveis, calculadas de acordo com o risco das atividades desenvolvidas pelos empregados, chegando a 6%. Para estipular a alíquota, a administração tributária levava em conta o risco verificado na matriz da empresa, que era então replicado para os outros estabelecimentos. Mas diversos contribuintes entraram na Justiça defendendo que o risco tem que ser calculado separadamente, em cada filial.
Em 2008, o Superior Tribunal de Justiça publicou a súmula nº 351, reconhecendo a tese dos contribuintes. A súmula diz que "a alíquota de contribuição para o SAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro."
Para Fabrício da Soller, os atos declaratórios são importantes em três aspectos: tornam os trabalhos da PGFN mais eficientes, demonstram respeito aos contribuintes que já tiveram sua tese pacificada pela Justiça, e contribuem para desafogar o Judiciário. "Não adianta ficar contestando e recorrendo de matérias que perderemos na última instância", diz o procurador.
De acordo com o procurador, uma tese é considerada pacificada quando a PGFN entende não ser possível reverter uma decisão contrária. Antes de serem publicados, os atos declaratórios foram encaminhados ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, para a sua aprovação.

Fonte: Valor Econômico

Balanço é favorável a contribuintes

Em 2011, a maior parte dos 300 recursos julgados pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) foi favorável aos contribuintes, embora o ganho financeiro da União tenha sido maior. Do total de R$ 46, 27 bilhões discutidos nos processos, R$ 21,90 bilhões foram revertidos para os contribuintes, segundo a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). O conselho é o órgão responsável por receber e julgar recursos de contribuintes contra autuações da Receita Federal.
No restante dos processos julgados neste ano, R$ 8,34 bilhões são de casos em que a União foi parcialmente vitoriosa e R$ 16,02 bilhões correspondem a discussões em que teve êxito total.
Dois temas pesaram na balança contra a União. Um deles é o que discute o uso de ágio para reduzir o valor a ser pago do Imposto de Renda (IR). O outro refere-se à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) a pagar. "Começamos o ano com resultado positivo, mas no segundo semestre a situação se reverteu", afirma o procurador-chefe da PGFN no Carf, Paulo Riscado.
Um dos casos em que a União teve um grande revés em 2011 foi o do banco Santander em que se discutia o uso de ágio na aquisição do Banespa. A 1ª Seção da Câmara Superior do Carf cancelou a multa de R$ 3,95 bilhões aplicada pela Receita ao banco. O Fisco alegou que a instituição teria usado indevidamente um ágio de R$ 7,4 bilhões - resultante da privatização - para pagar menos IR e CSLL entre 2002 e 2004. A mesma seção foi favorável ao grupo Telemar em um processo de cerca de R$ 2 bilhões. A discussão também envolveu o uso de ágio resultante da privatização da Telebrás para reduzir a base de cálculo do IR e CSLL. O órgão afastou a acusação do Fisco de simulação.
"Certamente, vamos tentar rediscutir os casos julgados sobre esse tipo de planejamento, como o do Santander e da Telemar", afirma Riscado. O procurador afirma que em 2012 o Carf poderá rever entendimentos sobre determinados temas. Segundo ele, hoje o regimento interno do órgão estabelece a aplicação do que é decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso repetitivo. Por isso, poderão ocorrer alterações.
De acordo com tributaristas, o ágio foi o principal tema enfrentado pelo Carf neste ano. Para o advogado Luiz Paulo Romano, do Pinheiro Neto Advogados, esses casos são relevantes porque interessam às empresas em geral. "Esses julgamentos definiram posição mais favorável ao aproveitamento de ágio, principalmente o decorrente de privatização ou reorganização societária", afirma. Segundo ele, o Carf começou a sinalizar diretrizes para as empresas se planejarem, pois não há lei que regulamente essas operações.
O advogado Flávio de Carvalho, do Souza, Schneider, Pugliese e Sztokfisz Advogados, afirma que ainda há vários casos específicos sobre ágio que não foram julgados pelo Carf. Ele acredita que no ano que vem o Carf deverá consolidar entendimento sobre planejamento e estruturação de empresas com controladas e coligadas no exterior. "Há casos de planejamentos tributários somente para economizar impostos, mas muitas vezes trata-se de planejamentos empresariais de expansão de empresas brasileiras", diz.
Para Carvalho, o julgamento do processo da Marcopolo indica um cenário mais positivo para os contribuintes nessa situação. No caso da Marcopolo, os conselheiros da 1ª Seção decidiram, por unanimidade, que houve um planejamento tributário legal, sem simulação. O Fisco acusava a empresa de simular exportações para subsidiárias no exterior com o propósito de excluir, da contabilidade brasileira, parte do lucro com as vendas para reduzir o IR e CSLL a pagar.
A advogada Mary Elbe de Queiroz, do Queiroz Advogados Associados, destaca o preparo dos conselheiros demonstrado na profundidade com que foram examinados os casos jurídico-contábeis. Ela lembra a interpretação dada, recentemente, ao conceito de insumo para o uso de créditos no cálculo do PIS e da Cofins. "O novo olhar da Câmara Superior do Carf é muito relevante", afirma. O problema que persiste no Carf há anos e que a advogada espera ver resolvido em 2012 é o site do órgão. "Isso dificulta a elaboração dos recursos das empresas", diz a tributarista.

Fonte: Valor Econômico

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

BRASIL ENCERRA 2011 COMO A 6ª MAIOR ECONOMIA DO MUNDO, DIZ CONSULTORIA

Dado, ainda não oficial, foi revelado pelo jornal The Guardian e se baseia em análises e projeções de especialistas do Centro para Pesquisa Econômica e Negócios (CEBR), de Londres. A mudança é a segunda mais importante do ano: no primeiro semestre, a China já havia passado o Japão. O ranking coloca, pela ordem, Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e França nas cinco primeiras posições. Aí surge a mudança: enfraquecido por um ritmo de crescimento baixo, avaliado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 0,9% em 2011, o Reino Unido não consegue mais competir com o Brasil, mesmo que o PIB do País registre ampliação modesta, de 3% neste ano, bem inferior à projeção inicial, segundo noticiado pelo O Estado de S.Paulo.

Fonte: O Estado de S.Paulo

EXPORTAÇÕES PASSAM DE US$ 250 BI EM 2011

O superávit registrado pela balança comercial brasileira entre os dias 19 e 25 de dezembro atingiu US$ 740 milhões, de acordo com dados divulgados nesta segunda-feira (26) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). No período, as exportações somaram US$ 5,286 bilhões e as importações, US$ 4,546 bilhões. A corrente de comércio (soma das exportações e das importações) foi de US$ 9,832 bilhões.
De acordo com o MDIC, nos 17 dias úteis do mês (entre 1º e 23 de dezembro), o Brasil enviou US$ 16,241 bilhões em produtos para o exterior, uma média diária de US$ 965,9 milhões. Em comparação com o mesmo período de 2010, quando o país enviou US$ 909,5 milhões por dia ao exterior, o crescimento é de 6,2%.
A média diária de importações deste mês também é maior do que a do mesmo período de 2010. Foram comprados pelo Brasil US$ 15,551 bilhões, ou US$ 914,8 milhões por dia. O crescimento registrado pelo MDIC foi de 35,1% sobre os US$ 677,1 milhões importados diariamente pelo Brasil em dezembro de 2010.
As importações e exportações cresceram neste ano (com dados até 23 de dezembro) em comparação com o mesmo período de 2010. No entanto, caíram na comparação com novembro de 2011, quando as exportações tiveram média diária de US$ 1,088 bilhão e as importações, de US$ 1,059 bilhão. As quedas registradas foram de 11,3% e 13,7%, respectivamente, na comparação com novembro.
No acumulado de dezembro o saldo comercial é favorável ao Brasil em US$ 870 milhões. No ano, o resultado também é positivo. As exportações já alcançaram US$ 250,333 bilhões, (média diária de US$ 1,017 bilhão) e representam um crescimento de 43,1% em relação ao mesmo período de 2010. As importações também foram maiores e registraram alta de 24,7%, com média diária de US$ 908,5 milhões importados por dia. No ano, o acumulado é de US$ 223,489 bilhões.

Fonte: Agência Anba

EXPORTAÇÕES PASSAM DE US$ 250 BI EM 2011

O superávit registrado pela balança comercial brasileira entre os dias 19 e 25 de dezembro atingiu US$ 740 milhões, de acordo com dados divulgados nesta segunda-feira (26) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). No período, as exportações somaram US$ 5,286 bilhões e as importações, US$ 4,546 bilhões. A corrente de comércio (soma das exportações e das importações) foi de US$ 9,832 bilhões.
De acordo com o MDIC, nos 17 dias úteis do mês (entre 1º e 23 de dezembro), o Brasil enviou US$ 16,241 bilhões em produtos para o exterior, uma média diária de US$ 965,9 milhões. Em comparação com o mesmo período de 2010, quando o país enviou US$ 909,5 milhões por dia ao exterior, o crescimento é de 6,2%.
A média diária de importações deste mês também é maior do que a do mesmo período de 2010. Foram comprados pelo Brasil US$ 15,551 bilhões, ou US$ 914,8 milhões por dia. O crescimento registrado pelo MDIC foi de 35,1% sobre os US$ 677,1 milhões importados diariamente pelo Brasil em dezembro de 2010.
As importações e exportações cresceram neste ano (com dados até 23 de dezembro) em comparação com o mesmo período de 2010. No entanto, caíram na comparação com novembro de 2011, quando as exportações tiveram média diária de US$ 1,088 bilhão e as importações, de US$ 1,059 bilhão. As quedas registradas foram de 11,3% e 13,7%, respectivamente, na comparação com novembro.
No acumulado de dezembro o saldo comercial é favorável ao Brasil em US$ 870 milhões. No ano, o resultado também é positivo. As exportações já alcançaram US$ 250,333 bilhões, (média diária de US$ 1,017 bilhão) e representam um crescimento de 43,1% em relação ao mesmo período de 2010. As importações também foram maiores e registraram alta de 24,7%, com média diária de US$ 908,5 milhões importados por dia. No ano, o acumulado é de US$ 223,489 bilhões.

Fonte: Agência Anba

BRASIL ENCERRA 2011 COMO A 6ª MAIOR ECONOMIA DO MUNDO, DIZ CONSULTORIA

Dado, ainda não oficial, foi revelado pelo jornal The Guardian e se baseia em análises e projeções de especialistas do Centro para Pesquisa Econômica e Negócios (CEBR), de Londres. A mudança é a segunda mais importante do ano: no primeiro semestre, a China já havia passado o Japão. O ranking coloca, pela ordem, Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e França nas cinco primeiras posições. Aí surge a mudança: enfraquecido por um ritmo de crescimento baixo, avaliado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 0,9% em 2011, o Reino Unido não consegue mais competir com o Brasil, mesmo que o PIB do País registre ampliação modesta, de 3% neste ano, bem inferior à projeção inicial, segundo noticiado pelo O Estado de S.Paulo.

Fonte: O Estado de S.Paulo

Receita publica atos sobre Imposto de Renda e Cofins

A Receita Federal publicou duas determinações que afetam a carga tributária das empresas que tomam empréstimos em bancos alemães e das corretoras de seguros.
Em um ato declaratório, publicado em 23 de dezembro, a Receita isentou do Imposto de Renda Retido na Fonte as remessas de pagamentos de empréstimos, os juros ou outras despesas geradas pela tomada do crédito de instituições financeiras da Alemanha. A medida, prevista no Ato Declaratório Interpretativo nº 18, será aplicada às operações realizadas a partir de 14 de setembro - quando foi assinado o termo de Reciprocidade de Tratamento Tributário referente a Rendimentos auferidos por Governos Estrangeiros. Segundo a Receita, a isenção vale apenas para "garantias bancárias devidas a bancos de integral propriedade da República Federal da Alemanha".
De acordo com o advogado Rodrigo Pinheiro, do Braga & Moreno Advogados e Consultores, agora há "uma segurança jurídica mínima" para deduzir o IR dessas operações. "Os dois países não possuem acordo de bitributação. Mas, com a manifestação da Receita, no momento de remeter esses pagamentos para a Alemanha, as empresas não precisarão incluir esses valores na base de cálculo do IR", afirma o advogado.
Em outro ato declaratório interpretativo, o Fisco unificou seu entendimento de que as empresas corretoras de seguros devem recolher a Cofins a 4% pelo regime cumulativo, e não a 3% aplicada como regra geral. O posicionamento vem após algumas superintendências da Receita nos Estados divulgarem interpretações divergentes por meio de soluções de consultas formuladas por contribuintes. Para o Fisco, as corretoras estão enquadradas no grupo de instituições financeiras e, portanto, devem recolher o tributo com alíquota maior.
As corretoras de seguros tentam afastar o aumento da cobrança na Justiça. Em setembro, a 1ª turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao analisar ação de uma empresa de Londrina (PR), decidiu, por unanimidade, que as corretoras de seguros exercem atividade de "intermediação para captação de clientes". Dessa maneira, não estariam equiparadas ao conceito de "sociedades corretoras", prevista na Lei nº 8.212, de 1991.
 
 
Fonte: Valor Econômico

O contribuinte e a quebra de sigilo fiscal

Além de suportar umas das mais elevadas cargas tributárias do mundo e de viver em um país onde os serviços públicos não são de boa qualidade, o cidadão brasileiro ainda convive com a ação desmedida dos agentes do Fisco, que podem a qualquer tempo vasculhar a sua conta bancária, sem que para isso o Judiciário seja chamado a se pronunciar. Diante desse cenário, tem o contribuinte o direito de manter inviolável a sua intimidade financeira? Sob quais parâmetros deve se pautar esta polêmica questão, declarada como de "repercussão geral", em recurso extraordinário submetido ao Supremo Tribunal Federal (RE 601.314- SP).
Em 2001, foi promulgada a Lei Complementar nº 105, que autoriza as instituições financeiras a fornecer informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, diretamente ao Fisco, sem prévia autorização judicial. Pois bem. A questão constitucional está em saber se há violação aos princípios que asseguram ser invioláveis a intimidade e o sigilo de dados, previstos no artigo 5º, incisos X e XII, da Constituição Federal.
No plenário do Supremo Tribunal Federal a votação foi apertada, no julgamento do recurso extraordinário 389.808 - Paraná, de relatoria do ministro Marco Aurélio. Em seu brilhante voto, o ministro atentou para o princípio da dignidade humana, sob o qual se funda a República Federativa do Brasil, e que norteia as relações internacionais, como estabelece o artigo 4º, II, da CF/88. Segundo o ministro, a vida gregária pressupõe segurança, estabilidade e a não surpresa, princípios estes incompatíveis com a violação do sigilo bancário de contribuintes pelo Fisco.
Nos termos da Constituição Federal de 1988, devem ser assegurados aos brasileiros e estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do sigilo das correspondências, e das comunicações telegráficas, de dados e telefônicas. O acesso ao Judiciário consta deste mesmo rol de garantias, visando a afastar lesão ou ameaça de lesão a direito. Por isso mesmo, não é dado ao Fisco fazer justiça com as próprias mãos, para satisfazer pretensão, mesmo que esta seja legítima, salvo quando a lei o permita, nos termos do que dispõe o artigo 345, do Código Penal.
A inviolabilidade garantida pela Constituição Federal prevê exceções. Mediante ato fundamentado, nas hipóteses e formas contempladas na lei, pode ser afastado o direito à inviolabilidade. Tal medida pode ser adotada levando-se em conta uma única finalidade - para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Este foi o posicionamento majoritário do Supremo, no julgamento do recurso extraordinário. Nas palavras do ministro-relator, "a medida não pode ser utilizada como forma de devassa indiscriminada, sob pena de ofensa à garantia constitucional da intimidade".
Abusos fiscais são diariamente encontrados na sociedade
Foram contrários a este posicionamento quatro dos onze ministros que compõem o Supremo Tribunal Federal. Um dos ministros contrários ao direito à intimidade financeira fundamentou seu voto no artigo 145, parágrafo 1º, do Código Tributário Nacional (CTN), dando ao referido dispositivo a interpretação de que cabe à administração tributária identificar, respeitados os direitos e garantias individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. Afirmou não se tratar o caso de quebra de sigilo bancário, esta sim ilícita, mas de "transferência do dever de manter o sigilo".
No entanto, a interpretação dada ao dispositivo modificou a finalidade do artigo, cujo objetivo é dar aos impostos o caráter pessoal, de acordo com a capacidade contributiva de cada contribuinte. Da leitura do dispositivo, verifica-se que a intenção do legislador originário foi facultar à administração tributária identificar o patrimônio, rendimentos e atividades econômicas do contribuinte, apenas para a finalidade especial de conferir efetividade aos objetivos traçados pelo dispositivo, como o de conferir o caráter pessoal aos impostos, bem como graduá-los de acordo com a capacidade econômica do sujeito passivo. Pela leitura integral do parágrafo 1º do artigo 145 (CTN), não é possível extrair a interpretação de que pode a administração tributária ter acesso a dados bancários de contribuintes, sem prévia requisição ao Poder Judiciário.
Alegou também um dos ministros, na ocasião do julgamento, que todos os cidadãos, como contribuintes, são obrigados, por força de lei, a declarar anualmente todos os seus bens à Receita Federal do Brasil, por que então não permitir ao Fisco o livre acesso aos dados bancários?
Uma coisa é o cidadão, ciente de seus deveres e obrigações, entregar às autoridades informações a ele concernentes para o correto exercício de suas atribuições. Outra coisa é a administração pública, sem respaldo jurídico algum, dirigir-se ao cidadão e arrancar-lhe o que quer que seja, sem sua permissão. Abusos e excessos fiscais cometidos pelo poder público são condutas diariamente encontradas na sociedade. Imagine-se o que poderá ocorrer se a este poder público não forem impostos limites em suas relações com o cidadão, que não é detentor dos mesmos poderes que o Estado e seus representantes.
É importante lembrar, por fim, que a administração pública, apesar de realizada por meio de suas instituições, é levada à frente por seres humanos, cuja atuação profissional pode em alguma medida ser contaminada por interesses pessoais, que não se coadunam com o interesse público, ou mesmo por erros involuntários, de boa-fé. As regras sob as quais se estabelecem as relações entre cidadão e Estado devem garantir um mínimo de equilíbrio e segurança, para que as duas partes possam interagir em relação de igualdade. É evidente que não se trata de uma igualdade material, mas ao menos formal, de modo a garantir a inviolabilidade dos direitos e garantias fundamentais do cidadão.

Ana Flávia Magno Sandoval é sócia da Advocacia Sandoval Filho
Este artigo reflete as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

Fonte: Valor Econômico

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

É preciso reduzir importações "predatórias", afirma Dilma

A presidente Dilma Rousseff afirmou ontem em Montevidéu, na cerimônia de encerramento da cúpula do Mercosul, que os países do bloco precisam reduzir o que chamou de " avalanche de importações predatórias" proveniente dos países com maior índice de industrialização, na Europa, América do Norte e Asia. "Essas importações comprometem a geração de emprego e o crescimento econômico e devemos combatê-las com eficácia", disse Dilma em seu discurso.
Entre as medidas mencionadas pela presidente, está "a construção de mecanismos comuns que defendam a nossa economia de práticas ilegais e fraudulentas". Dilma anunciou ainda, como uma decisão do Mercosul como um todo, " a ampliação do alcance da lista dos produtos incluídos na Tarifa Externa Comum (TEC), permitindo uma gestão flexível, integrada e estratégica". Na prática, a proposta amplia temporariamente em cem itens a lista de exceções para cobrança de alíquota acima da TEC para importações de fora da zona.
Essa era a proposta inicial do Brasil desde o início da cúpula, mas,durante as reuniões realizadas anteontem pelos ministros das áreas econômicas do bloco, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, chegou a afirmar que o Brasil havia concordado em ampliar em 200 novos produtos a lista de exceção à TEC, conforme havia proposto a Argentina.
A lista de exceção permite que os países cobrem uma alíquota diferente dos demais membros do bloco para determinado produto, desde que não seja ultrapassado o teto de 35% que a tarifa determina. A ampliação das exceções durará até dezembro de 2014.
A sessão aberta do Mercosul começou com seis horas de atraso, devido à morte de um integrante da delegação argentina, o subsecretário de Comércio Exterior Ivan Heyn. O economista, que havia completado 34 anos na semana passada, foi encontrado em seu quarto de hotel, no centro da capital uruguaia, aparentemente enforcado. A polícia uruguaia investiga a hipótese de suicídio.
Quando a notícia chegou ao prédio que abriga a sede do Mercosul, no instante em que os presidentes iam abrir formalmente o encontro, a reunião foi paralisada a pedido da presidente argentina, Cristina Kirchner. A cúpula foi retomada, instantes depois, com o cancelamento de diversos atos públicos. Até mesmo a foto oficial deixou de ser feita. Durante o encontro, foi transferida do Uruguai para a Argentina a presidência pro-tempore da instituição.
O encontro dos presidentes chegou a um impasse quando se debateu o ingresso pleno da Venezuela. O Uruguai apresentou uma proposta para que as admissões de países passassem a ser tratadas por um grupo especial de trabalho, e não mais pelo Poder Legislativo de cada país. O presidente venezuelano Hugo Chávez não era esperado para a reunião, mas decidiu viajar para Montevidéu na noite de anteontem, quando se tornou claro que havia dificuldades para o Paraguai aceitar a proposta uruguaia.
O processo de ingresso da Venezuela está travado desde 2008, com a resistência do Senado paraguaio, controlado pela oposição ao presidente Fernando Lugo, em votar a admissão. Com a criação da comissão, a decisão sobre o ingresso ficaria concentrada nas presidências dos países-membros. Logo ao chegar ao Uruguai, em uma entrevista coletiva, Chávez foi contemporizador.
" Ninguém colocou como meta a aprovação dessa proposta hoje", disse o presidente venezuelano. Durante a sessão de encerramento do encontro, Dilma e Cristina anunciaram abertamente o apoio ao ingresso pleno da Venezuela. Lugo não comentou o tema.
Além da Venezuela, o presidente do Equador, Rafael Correa, também pediu formalmente o ingresso do país no bloco, embora no caso equatoriano a adesão seja ainda mais complexa que a do Venezuela, porque o Equador faz parte de outro bloco comercial, o Pacto Andino, e usa o dólar como moeda doméstica. " Espero que o Equador tenha melhor sorte que nós e que o seu processo não leve o mesmo tempo", disse Chávez em discurso.

Fonte: Valor Econômico

MINISTRO DEFENDE TRANSPARÊNCIA E FISCALIZAÇÃO

Desempenhar funções públicas com toda a transparência possível e a fiscalização necessária é fundamental para o governo tornar-se cada vez mais confiável ao cidadão brasileiro. A afirmação foi feita pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Mendes Ribeiro Filho, na manhã desta terça-feira, 20 de dezembro, durante a abertura do Seminário sobre Acesso à Informação Pública. O encontro, realizado em Brasília, é uma iniciativa do Ministério da Agricultura que busca orientar servidores da casa quanto aos mecanismos de acesso à documentos públicos pelo cidadão, além de divulgar a Lei de Transparência em todos os órgãos públicos, sancionada no último mês de novembro.
"Nós temos essa legislação, que é a Lei nº 12.527, de 2011, sendo discutida desde 1776 no Brasil", destaca Mendes Ribeiro Filho. O ministro ressalta que começou a tratar diretamente do assunto em 2005, quando então Deputado Federal elaborou o primeiro relatório, e agora, após longas discussões no Congresso, a presidente Dilma Roussef sancionou a lei, no mês de novembro, com previsão para começar a valer em 180 dias. "Se o acesso à informação pública de fato acontecer no governo federal, e eu como autor da lei vou brigar para que ela aconteça, não tenho dúvida de que o cidadão brasileiro vai viver dias melhores, sem preocupações, dúvidas e segredos quanto às ações governamentais", aponta Mendes Ribeiro Filho.
O ministro também defendeu a importância dos servidores do Ministério da Agricultura no processo de acesso à informação pública. "Essa contribuição precisa ser de vocês também, que serão as câmeras do governo, por isso, estamos levando o debate para vocês, para mostrar o que os senhores representam na sociedade e no governo, neste momento que é fundamental para que a democracia avance mais ainda no Brasil". Para finalizar, Mendes Ribeiro Filho também destacou que o seu objetivo, enquanto ministro da pasta, é fazer com que os funcionários do Mapa sejam cada vez mais valorizados e o órgão cumpra a sua função de produzir alimentos e influenciar a economia brasileira de forma positiva.
Governo
Também participaram do evento o jornalista da Folha de São Paulo, Fernando Rodrigues, e a representante da Controladoria Geral da união (CGU), Izabela Correia. A coordenadora da CGU ressaltou a importância do seminário para o Ministério da Agricultura e para o governo de uma forma geral. "É uma iniciativa excepcional, com a aprovação da lei, todos os servidores agora terão que tomar conhecimento da legislação, passar por um processo de conscientização e sensibilização, para que eles possam tornar efetiva a implementação da legislação, que já começa a vigorar em maio de 2012".
Izabela também destacou que a iniciativa do Mapa é pioneira. A CGU já realizou outros dois grandes seminários este ano, para tratar do assunto de uma forma ampla, em toda administração pública. Para ela, o encontro é uma mobilização inicial, o primeiro contato de muitos servidores da casa com a legislação. "A meta é que a abertura e a transparência de informações sejam uma regra e o sigilo, uma exceção".
Sociedade
O jornalista da Folha de São Paulo, Fernando Rodrigues, acompanha as discussões no Brasil e no exterior sobre a Lei de Acesso à Informação Pública há mais de dez anos. Segundo ele, em outros países onde o assunto acabou sendo discutido e a lei foi criada, os questionamentos, de uma forma geral, surgiram por meio da pressão da mídia já que é a imprensa quem usa esse material. Fernando Rodrigues afirma que é um engano achar que é só a mídia que vai usar esse tipo de informação. "No começo é assim, mas depois, com o passar do tempo, com o estabelecimento do direto de acesso à informação, quem usa, de fato, esse tipo de facilidade é a população em geral."
Para o jornalista, a questão da transparência vai muito além. "Como para nós, no Brasil, ainda vem a ser um tema novo, muitos podem entender que talvez a lei seja somente uma ideia de alguns deputados, até mesmo de alguns jornalistas que queriam bisbilhotar o que faz o governo", ressalta. Trata-se de uma questão muito mais ampla, já em funcionamento em muitos outros países, cuja a discussão já dura cerca de três séculos, com o objetivo de tornar a nação mais democrática e transparente. No Brasil, quando o servidor público estiver na dúvida, deve consultar a legislação para saber como proceder. "Mais que uma orientação é um direito dos servidores e do cidadão comum".

Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

DILMA CHEGA A MONTEVIDÉU PARA A CÚPULA DO MERCOSUL

A presidenta Dilma Rousseff chegou nesta terça-feira (20) a Montevidéu para a Cúpula do Mercosul - bloco integrado pela Argentina, pelo Brasil, Uruguai e Paraguai. Na pauta, a criação de um mecanismo de proteção comercial do mercado regional, no momento em que o mundo atravessa uma crise econômica, e a inclusão da Venezuela como quinto membro pleno.

O presidente da Venezuela, Hugo Chaves, que tem evitado compromissos internacionais desde que começou o tratamento de câncer, decidiu, de última hora, comparecer à reunião. Ele chegou pouco antes de Dilma à sede do Mercosul.

A adesão da Venezuela foi aceita pelos presidentes dos países do Mercosul em 2006. Mas, para completar o processo, era preciso obter a aprovação dos Poderes Legislativos. Os congressos do Brasil, da Argentina e do Uruguai já votaram a favor. Mas a maioria oposicionista no Senado paraguaio é contra.

O presidente do Uruguai, José Pepe Mujica, anfitrião da Cúpula do Mercosul, propôs esta semana encontrar um mecanismo para permitir a adesão da Venezuela, apesar da oposição do Congresso paraguaio. Na segunda-feira passada (19), os chanceleres do Mercosul tiveram um encontro para discutir a forma de fazer isso sem ferir a soberania do Paraguai. Falaram no envio de missões a Assunção, para convencer os parlamentares paraguaios da importância de ampliar o Mercosul. Segundo o chanceler Antonio Patriota, falou-se também na "modernização" dos mecanismos institucionais do Mercosul, para acelerar as adesões de novos membros - entre eles o Equador que, na reunião de hoje (20), pedirá a sua inclusão no bloco regional como membro pleno.

Mas o tema principal da reunião de hoje é o agravamento da crise internacional, que afeta as economias desenvolvidas: os Estados Unidos e países da Europa e da Ásia. Mantega reuniu-se na segunda-feira (19), em Montevidéu, com os ministros da área econômica do Mercosul. "Concluímos que se a crise continuar, não existem os mesmos instrumentos que havia em 2008 para serem postos em ação", explicou Mantega, em entrevista ao deixar a reunião. "Ou seja, haverá uma dificuldade maior dos países avançados para implementar medidas de estímulo às suas economias. A tendência é que as economias avançadas continuem em estado de letargia, numa anemia profunda", acrescentou.

Segundo o ministro, a preocupação do Brasil e de seus sócios no Mercosul é que sejam afetados por "falta de crédito e de fluxo de capitais". Por essa razão, discutiram o fortalecimento de instituições multilaterais de crédito, entre eles a criação do Banco do Sul, um banco de desenvolvimento integrado pelos dez países-membros da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

Mantega também defendeu uma iniciativa parecida à de Chiang Mai, adotada pelos países asiáticos, durante a crise financeira que atingiu a região. "É um mecanismo sem burocracia, em que os países oferecem créditos recíprocos nas horas de aperto", explicou Mantega. "É parecido com o mecanismo adotado por seis bancos centrais da Europa agora na crise europeia".

De imediato, os países do Mercosul estão negociando a alteração das regras do bloco econômico para defender melhor seu mercado da invasão de produtos manufaturados de terceiros países. O Brasil e a Argentina querem ter a liberdade de aumentar, até 35%, os impostos de importação para uma lista de 100 a 200 produtos.

Atualmente, os países do bloco devem cobrar uma Tarifa Externa Comum (TEC), muitas vezes mais baixa que o limite permitido pela Organização Mundial do Comércio (OMC), de 35%. Cada país tem uma lista de exceção. No caso do Brasil, são 100 produtos. Mantega pediu exceção para outros 100 produtos, mas a Argentina propôs uma lista maior de 200 produtos e o Brasil aceitou. Para implementar o novo mecanismo, faltava oferecer compensações ao Uruguai e ao Paraguai que dependem mais de importações do que os dois sócios maiores.



Fonte: Agência Brasil

MERCOSUL APROVA AUMENTO DA TARIFA COMUM PARA PROTEGER INDÚSTRIAS LOCAIS DA CONCORRÊNCIA COM IMPORTADOS

Os presidentes dos quatro países do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) decidiram aplicar um mecanismo novo para proteger o mercado regional da invasão de produtos de outros países, em um contexto de crise internacional. A partir de agora, cada país do bloco poderá elevar a tarifa de importação de 200 produtos até o limite de 35%. Os aumentos podem vigorar até 2014.

Atualmente, todos os países do Mercosul têm que cobrar a Tarifa Externa Comum (TEC) das importações de terceiros países. Algumas exceções foram abertas para itens mais sensíveis. No caso do Brasil, a lista inclui 100 produtos.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, pediu para elevar as tarifas de mais 100 produtos. Mas a Argentina queria uma lista maior, com 200 itens, que acabou sendo aprovada.

O mecanismo funciona da seguinte forma: cada país apresenta uma proposta dos produtos cuja importação quer dificultar. Os sócios do Mercosul são consultados, e o prazo para resposta é rápido, de poucas semanas. Segundo Guido Mantega, no caso do Brasil, a lista deve incluir bens de capital, têxteis e químicos.



Fonte: Agência Brasil

PALESTINA E MERCOSUL ASSINARAM ACORDO

O ministro das Relações Exteriores da Palestina, Riyad Al-Malki, assinou acordo de livre comércio do seu país com o Mercosul nesta terça-feira (20), em Montevidéu, no Uruguai, na cúpula de chefes de estado do bloco. Pelo Mercosul, assinaram o tratado os chanceleres Antonio Patriota, do Brasil, Luis Almagro, do Uruguai, Jorge Lara Castro, do Paraguai, e Héctor Timerman, da Argentina.
De acordo com notícias publicadas na imprensa, técnicos brasileiros estimam que há um potencial de US$ 200 milhões de comércio entre o Brasil e a Palestina. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, destacou que o acordo representa equilíbrio nas relações comerciais com a comunidade árabe, já que o País fechou acordo semelhante com Israel no primeiro semestre deste ano.
O tratado permite que os países do Mercosul exportem para a Palestina com tarifas reduzidas de comércio e a nação árabe poderá vender para o bloco nas mesmas condições. Atualmente, a principal demanda dos palestinos é por produtos manufaturados, segundo o Itamaraty. Segundo o embaixador da Palestina em Brasília, Ibrahim Al-Zeben, no entanto, o país precisa principalmente de alimentos. Já a Palestina pode exportar para o Brasil artesanato religioso, azeite e mármore.
A Palestina tem acordo de livre comércio com os países árabes e com a União Europeia. Entre janeiro e novembro deste ano, o Brasil exportou US$ 14,2 milhões em produtos para a Palestina e, no mesmo período, importou US$ 17 mil. As exportações brasileiras incluíram produtos como carnes bovinas, arroz, gomas de mascar, doces, bolachas e citrato de orfenadrina, que é um fármaco.

Fonte: Agência Anba

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

UE QUER DOBRAR A INTERNACIONALIZAÇÃO DE EMPRESAS DO BLOCO

Como uma das saídas para se recuperar da crise econômica, a União Europeia quer dobrar a internacionalização de suas empresas nos próximos cinco anos. O Brasil está nos planos. Para isso, quer promover "joint ventures" (associações de empresas para explorar determinado negócio) entre a indústria brasileira e a europeia, em setores como eletroeletrônicos, softwares e petróleo e gás, conforme publicado na edição de hoje do jornal Folha de S. Paulo.

Fonte: Folha de S.Paulo

Mercosul vai ampliar lista de produtos com tarifa máxima de 35%

Por pressão da Argentina, o Mercosul deverá ampliar hoje a lista de produtos que poderão ser alvo de medidas protecionistas. Além das listas de exceções já existentes, um outro mecanismo deverá ser criado, permitindo a aplicação da alíquota máxima da Tarifa Externa Comum (TEC) para uma nova série de produtos, desde que em caráter temporário. A lista de produtos agravados deverá chegar a 200, conforme proposta da Argentina. O Brasil, inicialmente, sugeriu uma lista menor, com cem itens.
"É uma medida de defesa comercial, em um momento em que estamos sendo invadidos pela competição estrangeira. Temos aqui países em condição fiscal sólida, que desenvolveram os seus mercados internos, mas que estão tendo esses mercados ocupados por países que precisam manter a sua produção", afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em Montevidéu, no Uruguai, ao sair da reunião de ministros da área econômica que antecede a cúpula dos presidentes dos países do bloco, que acontece hoje na capital uruguaia.
Segundo Mantega, a aplicação da alíquota de 35% poderá atingir, entre outros setores, os de bens de capitais, derivados químicos e produtos têxteis. A resolução que esta sendo negociada estabelece que os governos teriam liberdade para a elaborar a nova lista de produtos que terão alíquota aumentada, mediante um processo sumário de consulta com os demais países, ainda a ser definido.
Mantega também sinalizou com a possibilidade de voltar a usar a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) como um mecanismo de defesa comercial. Recentemente, o governo elevou a alíquota do imposto para automóveis fabricados fora do Mercosul e do México. "Esse é um mecanismo que pode ser reforçado", disse.
A proposta de ampliação da lista de exceções vem sendo discutida em reuniões entre os governos do bloco desde o início do ano, mas ainda enfrenta resistências do Uruguai e do Paraguai, sócios de menor peso econômico do bloco. Sem a força industrial dos principais parceiros, a estratégia uruguaia e paraguaia é usar a negociação em relação à composição das listas de exceções à TEC para conseguir concessões para as exportacoes ao Brasil e à Argentina.
"Essa é uma proposta importante para as grandes economias do Mercosul, o que gera a necessidade de se criar mecanismos de equilibrio regional para as pequenas economias. Precisamos garantir a manutenção do volume de vendas que Uruguai e Paraguai mantêm atualmente com Brasil e Argentina", disse o chanceler uruguaio, Luis Almagro.
Os governos do Brasil e da Argentina temem uma guerra comercial mundial em 2012, com o enfraquecimento da economia de Estados Unidos, Europa, Japão e China, com políticas de fomento à exportação cada vez mais agressivas em relação a mercados como o latino-americano. Um dos setores que deve receber proteção adicional é o dos fabricantes de veículos e autopeças, onde já existe uma negociação em curso para elevar o índice de nacionalização permitido dentro do regime de produção regulado dentro do bloco.
Durante a reunião de hoje, as presidentes Cristina Kirchner e Dilma Rousseff devem se defrontar com uma proposta que, se aprovada, tende a diluir a força dos dois países dentro do bloco. O presidente uruguaio, José Mujica, deverá sugerir mecanismos para acelerar a integração da Venezuela como membro pleno do bloco.
A entrada da Venezuela é estratégica para o governo do Uruguai, que, com frequência, se queixa de que Brasil e Argentina não levam em conta os interesses de economias menores. O ingresso da Venezuela não foi homologado até hoje pelo Senado do Paraguai, embora já tenha sido aprovado pelo Legislativo dos demais países. A entrada da Venezuela no Mercosul está pendente há três anos.
Ao chegar a Montevidéu, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, confirmou que os governos dos países do bloco poderão acertar uma nova fórmula de ingresso de países no Mercosul, com uma negociação menos complexa com as instâncias políticas internas. "Vamos modernizar os procedimentos do Mercosul para acelerar o ingresso dos países, mas respeitando a situação institucional paraguaia", disse Patriota.
"Devemos solucionar o tema da Venezuela, que não pode ficar esperando para deixar de ser um cidadão de segunda categoria", disse, com mais ênfase, o chanceler da Argentina, Hector Timerman.
O Paraguai é o grande entrave para a solução do problema. Sem maioria nas duas casas do Congresso, o presidente Fernando Lugo tenta impedir que o ingresso da Venezuela derive para uma crise institucional no país. O chanceler paraguaio Jorge Lara Castro comentou o tema com frieza ao chegar no Uruguai. "Não há novidade O que existe é apenas uma proposta do Uruguai", disse.
O presidente venezuelano Hugo Chávez não viajou para Montevidéu e será representado na reunião pelo chanceler Nicolàs Maduro. A Venezuela pediu admissão como membro pleno em 2004 e aguarda desde 2008 a aprovação do Senado paraguaio. O mesmo trajeto para ingressar no Mercosul começará a ser feito pelo Equador. O presidente Rafael Correa deverá pedir formalmente a admissão do país, que usa o dólar americano como moeda e integra outro bloco regional, a Comunidade Andina.

Por Cesar Felício | De Montevidéu

Fonte: Valor Econômico


terça-feira, 13 de dezembro de 2011

CAMEX APROVA ADEQUAÇÃO DA NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM) E DA TARIFA EXTERNA COMUM (TEC)

Foi publicada hoje no Diário Oficial da União a Resolução Camex nº 94 que realiza a adequação da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e da Tarifa Externa Comum (TEC) à V Emenda ao Sistema Harmonizado (SH) de Designação e Codificação de Mercadorias (SH), com vigência a partir de 1º de janeiro de 2012. A adequação foi aprovada na reunião do Comitê Executivo de Gestão da Camex (Gecex), realizada na última quinta-feira (8/12), e substitui a versão 2007 do Sistema Harmonizado pela sua versão de 2012.
O Brasil, na condição de parte contratante da Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (SH), assumiu a obrigação de incorporar as modificações introduzidas no sistema, sob a forma de emendas, que são propostas em intervalos de quatro a seis anos, e decorrem da necessidade de atualização relacionada a avanços tecnológicos, alterações nos padrões de comércio, aclaração de textos para uniformidade de aplicação, facilitação de atividades de controle e monitoramento e a diversos outros fatores.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

Crédito externo está mais curto e caro

Daniel Wainstein/Valor / Daniel Wainstein/ValorFreiberger, do HSBC: empresas ainda não sentiram a pressão porque fizeram o dever de casa e alongaram suas dívidas
As linhas de crédito para o comércio exterior, em grande parte abastecidas por bancos internacionais com moedas estrangeiras, estão ficando mais caras e a disponibilidade, diminuindo. O movimento tem evoluído ao longo da segunda metade deste ano. Os financiamentos com prazo superior a um ano começaram a dar sinais de menor disponibilidade há cerca de três semanas, segundo Fernando Freiberger, responsável pelo "corporate banking" do HSBC. Em setembro, o impacto era sentido só nas linhas acima de três anos.
O custo das linhas de comércio exterior para os bancos, que têm juro atrelado à Libor, também está mais salgado - subiu, nas últimas três semanas, de um a dois pontos percentuais. Quanto maior o prazo, maior o aumento. Uma linha com prazo de seis meses, por exemplo, que antes de setembro saía a Libor mais 1,2% ao ano, agora é repassada para o banco local a Libor mais 2,1%.
A ação coordenada de bancos centrais para injetar liquidez em dólares no sistema bancário mundial na virada de novembro para dezembro, no entanto, trouxe algum alívio. "Da semana retrasada para cá, a taxa voltou 0,5 ponto percentual", diz Ures Folchini, tesoureiro do WestLB.
As empresas não sentiram ainda tanto a pressão da menor disponibilidade de crédito no cenário mundial porque a situação de caixa de muitas está favorável. "Elas fizeram o dever de casa e alongaram suas dívidas", explica Freiberger, do HSBC. "Quando começaram a sentir sinais de desaceleração da economia e de agravamento da crise da Europa, se voltaram para dentro, geriram melhor os custos e postergaram investimentos."
Carlito Dayam, diretor do Daycoval, banco especializado na oferta de crédito a empresas de médio porte, vê até agora mais impacto no preço do que no volume de recursos. "Os bancos estrangeiros menores, que dão linha para os grandes, esses têm sofrido um pouco e têm diminuído a oferta", pondera. Mesmo assim, o repique não estaria sendo suficiente para barrar o acesso das empresas a financiamentos para o comércio exterior. "A companhia brasileira pode arcar com isso", diz Dayam.
Na avaliação de Sérgio Lulia Jacob, vice-presidente do ABC Brasil, a alta de custo estaria atrelada a uma redução mais forte da oferta de crédito em relação à demanda por parte dos bancos instalados no Brasil. "Há uma cautela maior por parte de quem concede as linhas porque está havendo uma desaceleração na economia e isso atinge as empresas", afirma.
De setembro para outubro, a média diária de concessão de Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC) caiu quase pela metade, de R$ 412,9 milhões para R$ 272,4 milhões, segundo dados do Banco Central (BC).
O panorama atual está longe de ser otimista, porém um quadro de ruptura como o que se seguiu à quebra do Lehman Brothers está praticamente descartado. Algumas instituições financeiras apostam, inclusive, em uma retomada de condições e fluxo dessas linhas no início de 2012. Até lá, os problemas emergenciais da Europa estariam razoavelmente equacionados, e o apetite por emergentes seria retomado.
Rogério Calderón, diretor de controladoria do Itaú Unibanco, diz observar alguma deterioração das linhas externas para o Brasil nas últimas semanas, com aumento de custos e redução de disponibilidade. Entretanto, ele espera uma retomada logo no começo de 2012. "O recente 'upgrade' do Brasil, juntamente com a melhor percepção sobre a América Latina, têm o potencial de atrair recursos de investidores que anteriormente não investiam no país", destaca.
Na opinião de Dayam, do Daycoval, os bancos estrangeiros estão mais otimistas com os bancos brasileiros do que as próprias instituições financeiras domésticas. "Os bancos lá fora que têm liquidez não vão querer se arriscar nos mercados deles", diz.
Mas, se nem o encarecimento das linhas externas, nem a leve redução de disponibilidade parecem afetar de forma drástica o crédito corporativo no Brasil, o ambiente mais avesso para emissões no mercado de capitais internacional já começa a estimular grandes empresas a buscarem, aqui, linhas bancárias tradicionais. "Aumentou a demanda das grandes empresas por capital de giro", afirma Dayam. "Achávamos que no último trimestre o ritmo [dos empréstimos] iria diminuir um pouco, mas estamos vendo que até o ano que vem não vai ser aquela coisa horrorosa."
O Bradesco também já sente uma demanda maior por crédito por parte dos clientes que antes se abasteciam com linhas estrangeiras. "A oferta não está caindo, mas muitas empresas estão esbarrando em problemas de limite de crédito, que está no teto", afirma Domingos Figueiredo de Abreu, diretor vice-presidente do Bradesco.
"Não vejo demanda maior significativa nem na margem, mas uma ou outra empresa fazendo esse movimento", diz Freiberger, do HSBC. Calderón, do Itaú, avalia que ainda é cedo para afirmar que a liberação de linhas pelos bancos no mercado doméstico seja necessária "à medida que a percepção do risco brasileiro pelos investidores internacionais tem melhorado muito nos últimos anos".


Por Aline Lima e Carolina Mandl | De São Paulo


Fonte: Valor Econômico

STJ julgará restituição de tributos

Uma das disputas tributárias mais importantes do ano, decidida em agosto pelo Supremo Tribunal Federal (STF), está gerando nova movimentação entre advogados de contribuintes, ao voltar à pauta do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em discussão está o prazo para pedir a restituição de tributos pagos a mais. Alguns tributaristas mantêm a esperança de modificar, mesmo que de forma periférica, o entendimento do Supremo.
O STJ deve julgar novamente amanhã a retroatividade da Lei Complementar (LC) nº 118, de 2005 - que reduziu de dez para cinco anos o prazo para os contribuintes entrarem na Justiça pedindo a restituição ou a compensação de tributos pagos a mais. Como o caso será analisado pelo mecanismo do recurso repetitivo, a decisão servirá de modelo para os demais tribunais do país.
A Corte Especial do STJ já havia se posicionado sobre a questão. Mas, depois, o tema chegou ao Supremo. Em agosto, o STF decidiu que a LC 118 não deve ser aplicada de forma retroativa, mas fixou que o critério para avaliar qual prazo deve ser empregado é o momento de ingresso da ação. Para aquelas ajuizadas até 9 de junho de 2005, o prazo é de dez anos. Depois dessa data, valem os cinco anos previstos na LC 118. Milhares de pessoas físicas e jurídicas foram afetadas.
O STJ decidiu retomar o assunto porque a orientação do Supremo divergiu de seu posicionamento. Embora os dois tribunais concordem quanto à irretroatividade da lei, o STJ tomava a data do pagamento do tributo - e não do ingresso da ação - como marco para distinguir se o prazo seria de cinco ou dez anos. Esse entendimento favorecia os contribuintes, pois tributos pagos até 9 de junho de 2005 poderiam ser discutidos nos dez anos seguintes.
Em razão da divergência, o ministro do STJ Mauro Campbell Marques decidiu encaminhar um novo processo para julgamento pela 1ª Seção, especializada em direito público. A tendência da Corte é adequar sua jurisprudência ao que disse o Supremo.
Apesar disso, advogados não desistiram de tentar reverter o entendimento do STF. Um dos argumentos é que, ao decidir pela irretroatividade da LC 118, os ministros não teriam formado maioria quanto ao critério do ajuizamento da ação. Dos seis ministros que votaram pela irretroatividade da lei, somente quatro concordaram expressamente quanto a esse aspecto - entre eles, a relatora do caso, a ex-ministra Ellen Gracie, cujo voto prevaleceu. O ministro Luiz Fux, por exemplo, seguiu a jurisprudência do STJ, seu tribunal de origem, tomando como base a data de pagamento do tributo.
Contribuintes levantaram a discussão do quórum no próprio STF, em uma questão de ordem e um recurso de embargos infringentes (usado para questionar decisões tomadas sem unanimidade). Mas, para advogados consultados pelo Valor, o efeito desses recursos será nulo - pois é difícil alterar um entendimento do plenário e porque os autores não faziam parte do processo, assim não teriam como recorrer.
A notícia de que o STJ irá retomar a discussão gerou nova expectativa e alguma movimentação nos gabinetes dos ministros. "É possível que a intenção seja adequar a jurisprudência do STJ à do STF, mas, por outro lado, é uma possibilidade de os contribuintes brigarem pelo entendimento do STJ, que, ao nosso ver, era o mais correto", diz o advogado Júlio César Soares, do Souza, Schneider, Pugliese e Sztokfisz Advogados.
O advogado Marco André Dunley Gomes, que atuou na causa julgada pelo STF, aposta em outra estratégia de defesa. "O STJ poderia afetar o processo à Corte Especial, para definir que sua própria jurisprudência se aplicaria até o momento em que foi tomada a decisão do Supremo", afirma.
Mas nem todos são otimistas. Para o advogado Luiz Gustavo Bichara, do Bichara, Barata & Costa Advogados, não há nenhuma possibilidade de o STJ alterar a situação atual. "Também estou triste e perdi muitos casos, mas a discussão acabou. O STJ vai dizer que se adequa à posição do Supremo."

Por Maíra Magro | De Brasília

Fonte: Valor Econômico

Supremo sugere alterações em projeto de lei do novo CPC

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cezar Peluso, elogiou ontem o projeto do novo Código de Processo Civil (CPC) e apresentou sugestões ao texto que tramita na Câmara. As propostas foram entregues ontem ao deputado federal Sérgio Barradas Carneiro (PT-BA), relator do projeto de lei, durante encontro no gabinete do ministro.
"O ministro colocou-se à disposição. Ele está jogando o peso do cargo em favor do projeto e das regras de celeridade processual", disse Barradas. Segundo o deputado, já foram colhidas sugestões entre representantes de diversas áreas do direito, como defensores públicos, promotores, magistrados e advogados. "Não poderíamos deixar o Supremo de fora, justamente o lugar onde tudo termina."
Para o presidente do STF, o código atual tem uma boa estrutura, mas não atende à realidade. Ele mencionou a edição de várias leis que alteraram o texto ao longo do tempo. "Eu não digo que ele dificulta a tramitação dos processos, mas é susceptível de aprimoramento", afirmou Peluso. O ministro explicou que suas sugestões ao projeto do novo CPC são pontuais e não alteram a estrutura do texto em discussão na Câmara.
Uma das propostas de Peluso é incluir no projeto um dispositivo permitindo que as partes escolham, em contrato, que eventuais litígios serão resolvidos no exterior. O dispositivo diz que o Judiciário brasileiro não poderá julgar ações nessas hipóteses. "A possibilidade de eleição de foro estrangeiro alinha o Brasil com a prática adotada em diversos países", segundo o documento apresentado pelo ministro, que cita como exemplos Suíça, Inglaterra, Estados Unidos e Itália, além de tratados em vigor no Mercosul.
Outra sugestão diz respeito ao artigo que trata da desconsideração da personalidade jurídica - mecanismo pelo qual, em caso de abuso, os sócios passam a responder com o próprio patrimônio pelas dívidas da empresa. Em relação ao projeto original, a redação sugerida por Peluso torna mais rígidos os critérios para aplicação do mecanismo. (MM)

Fonte: Valor Econômico

A taxa de câmbio no desequilíbrio fiscal

No território ocupado pela Eurolândia (17 países, entre os 27 da Comunidade Europeia que adotaram o euro como moeda), há registro de 25 séculos de graves conflitos. A destruição intermitente de vidas e do patrimônio físico acumulado ao longo desse tempo foi tão grande que justifica qualquer esforço para construir uma organização social que harmonize os interesses das partes e elimine a tentação da arbitragem militar.
A construção da Comunidade é obra política da maior importância, mas extremamente ambiciosa. Pretende estabelecer uma "paz perpétua" num continente construído pelos mesmos homens que deixaram a África há 150 mil anos. Com o tempo foram se separando em grupos hostis, devido à propensão à posse e à defesa do território que ocuparam e tenderam a ampliar. Descobriram há 12 mil anos a agricultura, domesticaram animais e começaram a organizar-se em torno de centros urbanos para obter de forma eficiente a sobrevivência.
Trata-se de uma construção política formidável, mas apoiada numa integração incompleta e controlada por regras insuficientes, o que lhe dá imensa fragilidade econômica. Às vésperas de sua fundação, apoiados em bons princípios teóricos, 150 notáveis economistas alemães num manifesto cáustico condenaram especialmente a prematura introdução da moeda única, o que, no longo prazo, poderia vir a destruir o sonho da comunidade.
Integração monetária não leva à igualdade entre os países
A crise do Lehman Brothers, a recessão americana e a fraqueza descoberta no sistema bancário mundial, acabaram por colocar luz sobre os problemas escondidos na estrutura da Eurolândia, devido: 1) ao simultâneo descumprimento das regras ajustadas em Maastricht; 2) ao fantástico efeito produzido pela credibilidade alemã nas taxas de juros dos papéis soberanos dos outros membros; 3) à expansão do crédito produzida pelo aumento da alavancagem do sistema financeiro, gerado pela crença que dispunha de fórmula segura para a estimação dos riscos; 4) à disposição dos poderes incumbentes de falsificarem a contabilidade; e, por último, mas não menos importante, 5) à "benção" das agências de riscos que, como os bancos centrais, não entenderam o terremoto que se estava construindo.
As dificuldades estavam ínsitas na construção do próprio euro quando se fixaram, em 1999, "para sempre e de maneira irretratável", as taxas de câmbio dos países-membros, sem integração fiscal verdadeira.
Para entender o que aconteceu de 1999 a 2010, é preciso verificar o que ocorreu internamente no euro, com as taxas de câmbio "virtuais". Tomemos o próprio euro, que valorizou-se em 12%, e dentro dele a dracma. Como se sabe, a melhor estimativa para a taxa de câmbio real é a relação taxa cambial nominal/custo unitário do trabalho. Em 12 anos, o custo do trabalho na Grécia cresceu 35%. Logo, a taxa "virtual" da dracma foi reduzida de 340,75 para 252,41 (340,75/1,33), para todas as exportações e importações gregas provenientes da própria Eurolândia, valorizando-se, "virtualmente", 26%.
Nas operações fora da Eurolândia, a dracma valorizou-se, também, 12% do euro, ou seja, passou de 340,75 para 225,36 (252,41/1,12). Logo, a taxa "virtual" da dracma valorizou-se 34%. No período as exportações físicas mundiais cresceram 82%, enquanto as gregas cresceram apenas 52%.
Tomemos a Alemanha. No mesmo período, a variação do custo unitário do trabalho foi de apenas 2%, de forma que a variação do valor do marco dentro do euro praticamente foi nula. Para operações fora da zona do euro, valorizou-se 12%. As exportações físicas cresceram 126% (contra 82% das exportações mundiais)!
O gráfico mostra que, considerada em si mesma, a Eurolândia tem equilíbrio em conta corrente, com dramáticos superávits internos (Alemanha e Holanda) e déficits (França, Itália, Grécia, Espanha e Portugal), pelo menos em parte induzidos pelos desequilíbrios cambiais semeados pela evolução das próprias economias. Como financiar os déficits sem um aumento do endividamento ou uma redução de crescimento?
A integração monetária não leva à homogeneização dos países. Quando não há mais o risco do câmbio, as regiões se especializam e se diferenciam cada vez mais. Quem se expande em bens e serviços não transacionáveis não tem como financiar déficits, a não ser reduzindo crescimento ou aumentando endividamento. O problema cambial escondido na Eurolândia foi causa eficiente da questão fiscal.
Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento. Escreve às terças-feiras

Fonte: Valor Econômico

Novo IPI para carros chega sem 'compensações'

A partir de sexta-feira, entra em vigor o decreto que eleva em 30 pontos percentuais o IPI dos veículos produzidos no Brasil que não atingirem conteúdo nacional mínimo de 65%. O governo não conseguiu, no entanto, concluir negociações com a indústria para ajustar a tempo questões importantes atreladas a essa medida.
Entre as pendências, falta escolher o mecanismo de transição para os novos investidores, que planejam começar a produzir, mas ainda não alcançaram o conteúdo nacional exigido. Os dois ministérios envolvidos - Fazenda e Desenvolvimento - tentam fechar as brechas para que as empresas com planos de investimento no Brasil cumpram as promessas de aumento de conteúdo local e não sejam obrigadas a pagar o IPI com alta de 30 pontos percentuais.
O governo teme a repetição de casos como o da extinta Asia Motors, a montadora coreana que aproveitou o regime automotivo no governo de Fernando Henrique Cardoso para importar com benefícios fiscais em troca da promessa, não cumprida, de erguer uma fábrica na Bahia.
Nos últimos dias, o ministro Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, teve encontros com todas as empresas que querem construir no país. Os representantes das chinesas Chery e Jac Motors, da japonesa Suzuki e da alemã BMW estiveram, separadamente, em seu gabinete com propostas que não receberam resposta.
Segundo fontes do setor privado, as equipes da Fazenda e do Desenvolvimento não conseguiram entrar em acordo. A Fazenda estaria menos disposta à flexibilidade, segundo fontes das montadoras. Um integrante da equipe do governo diz, porém, que os dois ministros concordaram em deixar para o Desenvolvimento a formatação das novas regras.
"Tínhamos visões diferentes; não temos mais", destaca a secretária de Desenvolvimento da Produção, do Ministério do Desenvolvimento, Heloísa Menezes. Uma reunião prevista para quarta-feira, com empresários do setor, deve ser cancelada para permitir aos técnicos dos dois ministérios avançar no trabalho. "Estamos discutindo alternativas que compatibilizem esse interesse em produzir no Brasil com o prazo necessário para isso", diz a secretária. "Projetos assim não se viabilizam em seis meses."
As montadoras já instaladas no país aplaudem as medidas protecionistas e, se no passado a redução de impostos era reivindicação constante, hoje o setor se contenta em ver o governo elevar a tributação dos concorrentes importados. "Não há negociação [para reduzir impostos] porque não vemos necessidade disso. O governo precisa de caixa e não vai abrir a mão da possibilidade de obter equilíbrio fiscal", disse recentemente o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Cledorvino Belini.
O governo também terá que lidar, ainda, com a mobilização das empresas que importam automóveis e não têm planos de produzir no país. A associação que representa esse grupo, a Abeiva, foi buscar a ajuda da Barral M Jorge Consultores Associados, uma consultoria especializada em relações governamentais que pertence ao ex-ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, e o ex-secretário de Comércio exterior, Welber Barral.
A associação não obteve, no entanto, progresso nas propostas de flexibilização do aumento de IPI por meio de importações autorizadas. O grupo se muniu de dados que mostram o aumento das importações das montadoras ligadas à Anfavea de veículos do México e Argentina, isentos do aumento do IPI em razão dos acordos bilaterais entre governos. Na comparação entre agosto e novembro, a participação das importações de empresas ligadas à Anfavea aumentou de 17,05% para 22,30%, segundo importadores.
Nos bastidores, as marcas que se mobilizam contra o aumento do IPI contam com a ajuda de governadores do Nordeste interessados em atrair as futuras fábricas. Os governadores da Bahia, Jacques Wagner, e de Pernambuco, Eduardo Campos, fizeram um pacto para pressionar o governo por maior flexibilidade para empresas interessadas em abrir instalações nesses Estados.
Tanto Wagner quanto Campos cobram da presidente Dilma Rousseff uma política de "recorte regional" e argumentam que, das 49 fábricas instaladas no país, 46 estão no Sul e no Sudeste e só duas no Nordeste. Na semana passada, o governador baiano voltou a tocar no assunto com a presidente.
Independentemente das medidas do governo nos próximos dias, a mobilização no setor vai prosseguir em várias frentes. Sob o comando do Sindipeças, a indústria de autopeças continuará questionando a regra de conteúdo local. Já as montadoras que produzem no Brasil e evocam seus programas de investimentos que somam US$ 22 bilhões até 2015, deverão, nos bastidores das negociações com os técnicos do governo, apelar para todas as ferramentas para justificar pedido de proteção. Entre as mais fortes, aparece um cálculo mostrando como a valorização do real consegue eliminar a proteção do Imposto de Importação.

Por Marli Olmos e Sérgio Leo | De São Paulo e Brasília

Fonte: Valor Econômico