quinta-feira, 19 de abril de 2012

Desempenho das receitas barra novas desonerações

A não ser que haja alguma surpresa positiva na arrecadação tributária, as medidas de desoneração da folha de salários das empresas para este ano se limitarão ao pacote anunciado no mês passado, contemplando 15 setores da indústria, a área de tecnologia da informação, call center e hotéis. Novas demandas pelo incentivo fiscal embutido na troca da contribuição de 20% sobre a folha por uma alíquota de 1% a 2,5% sobre o faturamento dificilmente serão atendidas agora - como as do setor aéreo e da construção civil.

O foco do Ministério da Fazenda, na escolha das áreas a beneficiar com menos impostos, é a indústria, que está sob forte competição externa. O segmento de tecnologia da informação foi incluído porque o Brasil pretende se candidatar a ser um exportador desses serviços, sobretudo para a América Latina, e, se possível, também para os países desenvolvidos.

A indústria da construção civil tentou, mas não foi beneficiada pela desoneração, embora seja uma grande empregadora e as incorporadoras estejam amargando estouros de orçamento e redução das margens de lucro. "Só que nessa área já temos os programas Minha Casa Minha Vida, o PAC, um regime tributário especial para habitação popular. E esse não é um setor afetado pela concorrência internacional", disse o ministro interino da Fazenda, Nelson Barbosa, ao Valor.

Na avaliação do governo, o espaço fiscal para novas concessões de benefícios tributários é limitado. O pacote de março traz renúncia fiscal líquida de R$ 1,79 bilhão neste ano e as expectativas de aumento das receitas ainda são frágeis.

O caso das empresas aéreas deverá ser analisado pela área econômica, mas não há disponibilidade de arrecadação para atender à demanda no momento.

O problema é que o querosene de aviação representa cerca de 30% dos custos das empresas e é o único combustível que acompanha a variação dos preços internacionais do petróleo. As empresas reivindicam tanto a desoneração da folha quanto redução do ICMS sobre o combustível, mas vários Estados já concedem incentivos do ICMS, exceto São Paulo. Essa, portanto, é uma discussão mais complexa e os prejuízos apurados pelas companhias estão relacionados à alta do petróleo, à guerra tarifária e ao aumento dos salários.


Fonte: Valor Econômico

Lei do Bem começa a dar resultados

Em 2010, 25% da receita da fabricante de produtos de linha branca Whirlpool Latin America veio de bens classificados como inovadores pela empresa. A fatia é oito vezes maior do que a empresa tinha em 2007. Esse é um dos exemplos de companhias que começam a se beneficiar concretamente dos investimentos em inovação.

A Whirpool está enquadrada na Lei do Bem, que permite que a empresa deduza do cálculo do Imposto de Renda despesas em pesquisa e desenvolvimento. Em 2008, 460 companhias se beneficiaram do incentivo fiscal. Os últimos dados disponíveis, de 2010, mostram que o número aumentou para 639. No mesmo período, a renúncia fiscal cresceu de R$ 1,58 bilhão para R$ 1,73 bilhão, e o valor dos projetos relacionados aos incentivos ficou praticamente estável em R$ 8,7 bilhões. Somando o setor público e o privado, os dispêndios com ciência e tecnologia evoluíram, mas de forma tímida: de 1,3% do PIB em 2000 para 1,62% em 2010. Parte da evolução é atribuída por empresas e representantes de indústrias à Lei do Bem, instituída em 2006, quando a fatia desses investimentos no PIB era de 1,29%.

Fonte: Valor Econômico

Espanha ameaça guerra comercial com Argentina, mas faltam opções

A Espanha ameaça promover uma guerra comercial contra a Argentina após a estatização dos 51% das ações da YPF que estavam nas mãos da espanhola Repsol. Mas analistas dizem que isso poderia ser mais prejudicial para empresas europeias, incluindo espanholas, com interesses no país. Sem muitas opções, Madri tem pressionado a União Europeia (UE) a retaliar.

A cúpula do governo espanhol tem reunião marcada para amanhã para decidir que tipo de resposta pode ser dada à expropriação anunciada nesta semana pela presidente argentina Cristina Kirchner. O ministro da Indústria, José Manuel Soria, afirmou as medidas podem atingir o comércio e o setor energético.

Ontem, o porta-voz do Partido Popular (PP, governista) para assuntos exteriores, José María Beneyto, disse que a Espanha pode deixar de comprar soja e biocombustíveis da Argentina.
"O governo está vendo exatamente que consequências terão esse tipo de represálias comerciais e o que se pode fazer", disse ele. "Já foi anunciada a possibilidade de que as importações importantes para a Argentina, como soja e bioetanol, sejam eliminadas, além de uma série de outras medidas."

Em entrevista ao jornal "Financial Times", o diretor do Centro Europeu para Economia Política Internacional, Fredrik Erixon, disse que quem tem mais a perder com uma guerra comercial seriam as empresas europeias. "Se a Europa adotar medidas de retaliação, quem vai perder mais são os importadores europeus de produtos argentinos", afirmou. "Isso seria um tiro no próprio pé."

A Espanha é o maior investidor estrangeiro na Argentina, à frente dos Estados Unidos. O investimento direto espanhol atingiu US$ 23,2 bilhões em 2010, ou 26,3% do total na Argentina. Os americanos ficam com uma fatia de 16,8%, segundo o Banco Central argentino.

O comércio bilateral também é favorável à Argentina, e não parou de crescer desde que Cristina Kirchner assumiu a Presidência, em 2007. Em 2011, no auge de sua crise da dívida, a Espanha importou US$ 2,745 bilhões em produtos argentinos. Isso representa mais que o dobro de suas exportações para o país sul-americano, que chegaram a US$ 1,313 bilhão.

Apesar do saldo amplamente favorável à Argentina, o país é sul-americano é responsável por apenas 0,8% das exportações totais da Espanha. Isso, em tese, dá margem de manobra a Madri para promover sanções sem prejudicar sua balança comercial.

Do lado argentino, apesar de a Espanha assimilar apenas uma pequena fração de suas exportações totais (US$ 86 bilhões em 2011), o país europeu é importante para compor o superávit comercial desejado pelo governo. Em 2011, o superávit com a Espanha somou US$ 1,42 bilhão, enquanto o saldo total da balança argentina ficou positivo em US$ 10,3 bilhões.

Ontem, a agência de risco Moody's anunciou ter colocado a nota da Repsol em revisão, para possível rebaixamento, medida que a Fitch já havia anunciado anteontem. Isso se deve à perda de ativos e receita da filial argentina da Repsol.


Fonte: Valor Econômico
O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, afirmou que os líderes europeus precisam garantir que estão incentivando o crescimento econômico da região, ao mesmo tempo em que adotam medidas para combater a crise da dívida. Mas, do outro lado, a crise não pode ofuscar a necessidade de reformas estruturais, conforme noticiado pela Dow Jones.
Fonte: ESTADÃO.COM.BR

PORTO DE MANAUS RENOVA CERTIFICADO DE SEGURANÇA INTERNACIONAL

O Porto de Manaus teve a certificação no ISPS CODE (International Ship and Port Facílity Security Code) renovada. O certificado possibilita ao porto amazonense o recebimento de navios estrangeiros, por atender às exigências internacionais de segurança. O parecer favorável foi dado pela Comissão Estadual de Segurança Pública nos Portos, Terminais e Vias Navegáveis, após auditoria realizada no último dia 5.
De acordo com o parecer, o Porto de Manaus cumpriu todas as ações recomendadas pela Comissão, como a elaboração de procedimento de acesso, instalação de câmeras para monitoramento do perímetro do cais das Torres, entre outros requisitos necessários para a certificação.
Para receber o ISPS CODE, o complexo manauense iniciou os trabalhos no ano de 2004. Nesse período foram realizadas avaliações de risco, concepção do plano de segurança, aquisição de equipamentos e o treinamento de pessoal.
ISPS CODE
Instituído pela Organização Marítima Internacional (IMO), entidade vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), o ISPS CODE é um código de procedimentos de segurança aplicado nos portos do mundo, para proteção de navios e instalações portuárias.
A norma teve origem após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos. No Brasil, o procedimento é instituído por lei.
O código funciona com a cooperação entre governos, órgãos públicos e empresas. Entre as exigências elencadas estão um maior rigor no controle de entrada e saída de pessoas e veículos nas instalações portuárias, a definição do perímetro do porto, a instalação de sistema de vigilância dentro da área delimitada e a necessidade de cadastramento de público e veículos que acessam ao cais.
Fonte: A Tribuna

sexta-feira, 13 de abril de 2012

DILMA DEVE VIAJAR HOJE PARA A COLÔMBIA ONDE PARTICIPA DA CÚPULA DAS AMÉRICAS

A presidenta Dilma Rousseff deve viajar hoje (13) à tarde para Cartagena das Índias, na Colômbia, onde participa até domingo (15) da 6ª Cúpula das Américas. Em discussão, a segurança internacional na região devido ao narcotráfico e ao tráfico de armas, o embargo a Cuba, imposto há cerca de meio século pelos norte-americanos, e os esforços conjuntos para a inclusão social e o combate à pobreza.
Meses antes da realização da Cúpula das Américas, a reunião gerou controvérsias devido à exclusão de Cuba, exigência dos norte-americanos. Em protesto, os presidentes Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia) e Rafael Correa (Equador) disseram que pretendiam boicotar o encontro. Porém, nos últimos dias, somente Correa informou que não participará do encontro. Morales e Chávez devem participar.
O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, conversou com Chávez, Correa e Morales na tentativa de resolver a polêmica. Santos foi a Havana, capital cubana, conversar com o presidente Raúl Castro para minizar o mal-estar.
No Brasil, as autoridades defenderam a participação de Cuba e reiteraram a necessidade de acabar com o embargo econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos ao país desde 1962. Em decorrência do chamado bloqueio, Cuba vive momentos de dificuldades internas na sua economia e passou a abrir o mercado para investimentos estrangeiros.
A exclusão de Cuba da Cúpula das Américas, segundo negociadores que participaram das reuniões prévias, deve ser tratada de forma reservada pelos presidentes presentes à reunião. O tema deve ser assunto do chamado retiro - momento em que os líderes debatem questões políticas. Há também a previsão de Dilma se reunir com Santos.
O Brasil e a Colômbia atuam de forma parceira nas operações de resgate de reféns, mantidos sob poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). No começo deste mês, aeronaves brasileiras e equipes de especialistas integraram as ações de resgate dos dez últimos militares e policiais mantidos em cativeiro pelos guerrilheiros.
Também estará em discussão na 6ª Cúpula das Américas a questão da segurança internacional da região - Américas do Sul, Central e do Norte. Várias vezes, os presidentes se manifestaram preocupados com o aumento das ações dos traficantes de drogas e armas.
Norte-americanos e colombianos negociam a instalação de bases militares dos Estados Unidos na região. O tema divide opiniões entre os países vizinhos, inclusive o Brasil, pois há um temor de ingerência norte-americana em assuntos internos.
Paralelamente, os presidentes conversarão sobre os esforços conjuntos para ampliar os programas de inclusão social e combate à pobreza. Dilma deverá mencionar os programas executados no Brasil e pretende reiterar que o tema também será discutido durante a Conferência Rio+20, em junho, no Rio de Janeiro.

Fonte: Agência Brasil

OMC PREVÊ FORTE DESACELERAÇÃO DO COMÉRCIO GLOBAL ESTE ANO

A crise na Europa fará o comércio mundial em 2012 sofrer forte desaceleração, com exportações crescendo abaixo da média dos últimos 20 anos e já atingindo as exportações brasileiras. Dados divulgados ontem pela Organização Mundial do Comércio (OMC) indicam que a expansão do comércio em 2011 freou em comparação com 2010, com crescimento de apenas 5%. Mas, em 2012, o desempenho será ainda pior. A previsão é de que a expansão será de apenas 3,7%. Só 2009, o pior em sete décadas, foi mais negativo que o ano atual. No auge da crise, o comércio caiu 12%. Em 2010, a elevação das exportações chegou a 13,8%. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
Fonte: O Estado de S.Paulo

Mendes Ribeiro diz que Brasil pode restringir produtos argentinos

Governo quer uma solução urgente para as restrições impostas à carne suína brasileira em 1º de fevereiro deste ano, quando foram suspensas as licenças automáticas de importação

O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, telefonou para o embaixador do Brasil na Argentina, Enio Cordeiro, pedindo que comunicasse ao ministro da Agricultura Norberto Yauhar que o governo quer uma solução urgente para as restrições impostas à carne suína brasileira em 1º de fevereiro deste ano, quando foram suspensas as licenças automáticas de importação. Segundo assessores, o embaixador comunicou ao ministro argentino que o governo brasileiro poderá adotar medidas semelhantes às impostas pela argentina, para restringir as importações de produtos do país vizinho, uma vez que a via diplomática não está sendo suficiente para resolver o problema.

Assessores contam que Mendes Ribeiro se mostrou indignado com o retrocesso nas negociações entre os dois países, pois quando se encontrou com Norberto Yauhar em Buenos Aires, no dia 16 de março, ficou acertado que seria estabelecida uma cota de importação de 3 mil toneladas de carne suína brasileira a partir deste mês, o que ainda não se concretizou.

O ministro brasileiro irá conversar pessoalmente com o ministro argentino sobre o assunto na próxima semana, durante a reunião do Conselho Agropecuário do Cone Sul (CAS), que será realizada na Bolívia. No encontro Mendes Ribeiro transmitirá a presidência do CAS para Norberto Yauhar.


Fonte: Venilson Ferreira, da Agência Estado

Conselho julga lucro no exterior

Apesar de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter dado repercussão geral a um recurso que discute a tributação de coligadas e controladas no exterior, os casos sobre a questão que estão na instância administrativa continuam a ser julgados. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não tem ainda uma orientação sobre o procedimento a ser adotado: se continua a avaliar os recursos ou se aguarda o julgamento pela Corte Suprema.

Ainda que não esteja vinculado ao Supremo e, portanto, não seja obrigado a suspender seus casos sobre o tema, advogados entendem que o sobrestamento dos processos pelo Carf daria maior segurança jurídica às partes.

Ontem, o órgão administrativo julgou dois processos sobre a incidência de Imposto de Renda (IR) e da CSLL sobre lucros de coligadas no exterior. A 1ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Seção do Carf julgou um recurso da Refratec pelo qual a empresa pedia esclarecimentos sobre uma decisão anterior. Segundo o relator do processo, Marcelo Cuba, como não seria possível alterar o mérito, o recurso poderia ser julgado sem confronto com a determinação do STF. A Receita Federal autuou a empresa pelo não recolhimento de tributos sobre os lucros de coligadas no exterior: uma vinculada direta na Espanha e outra indireta em Portugal.

A companhia portuguesa obteve lucro que foi contabilizado na empresa da Espanha, que havia registrado prejuízo. O Brasil possui um tratado com a Espanha para evitar dupla tributação, ou seja, apenas há exigência fiscal no país europeu. Portugal também tem esse tipo de acordo com o Brasil, mas ele não vale para as Ilhas Madeira, sede da empresa coligada.

O advogado que representa a Refratec no processo, Roberto Duque Estrada, argumenta que a empresa portuguesa é diretamente vinculada à sediada na Espanha e pede a aplicação do tratado Brasil-Espanha. O chefe da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) no Carf, Paulo Riscado, defendeu que, apesar do lucro ter sido "consolidado" na Espanha, os recursos não são provenientes do país, onde há o tratado.

O Carf manteve a decisão anterior, desfavorável à Refratec. Prevaleceu a conclusão do relator de que a empresa não conseguiu comprovar que o lucro provinha da Espanha para que o tratado fosse aplicado.
O outro processo envolvendo lucros auferidos no exterior que entrou na pauta trata de uma autuação fiscal contra a Gerdau. Nesse caso, também não houve manifestação sobre a suspensão dos processos que discutem o assunto. O julgamento foi interrompido por um pedido de vista.

O conselheiro Valmar Fônseca, presidente da 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção, explicou que, sem a publicação da decisão do Supremo, a discussão sobre a Gerdau só seria suspensa se houvesse algum posicionamento do conselho sobre a repercussão geral.

O advogado Flávio Eduardo Carvalho, do escritório SSPLaw, avalia que o melhor seria o conselho aguardar a manifestação do STF. Isso porque os julgamentos poderiam gerar insegurança jurídica, além da perda de credibilidade do órgão, caso as decisões administrativas sejam divergentes da que será proferida pelo Supremo. Carvalho diz que nas últimas sessões do conselho prevaleceu o interesse de algumas turmas de colocar os processos em pauta. Para ele, porém, isso pode mudar por ser a questão muito delicada. Ele ainda lembra que o Carf não tem muitos precedentes sobre a discussão dos lucros de coligadas e controladas no exterior.

Fonte: Valor Econômico

Conselho cria banco de dados do Judiciário

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) criou um novo banco de dados para permitir que pessoas e empresas saibam quantos processos tramitam contra elas no Judiciário.

O sistema, chamado de Central Nacional de Informações Processuais e Extraprocessuais (CNIPE), será revolucionário na opinião do ministro Cezar Peluso, presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF). Antes de a pessoa fechar um negócio com uma empresa, ela poderá verificar, num único clique, a quantos processos essa companhia responde, se ela possui bens indisponíveis, se está em vias de falência ou se é boa pagadora.

"Esse sistema não existe em nenhum lugar do mundo", disse Peluso ao Valor. "É um fato revolucionário não apenas para o Judiciário, mas para a sociedade em relação às demandas que ela tem na Justiça." Em São Paulo, por exemplo, são necessários nove dias para obter informações de uma empresa em todas as comarcas da capital. Pelo sistema, essa consulta será feita em poucos minutos.

O Valor fez um teste prévio no sistema, que será lançado oficialmente hoje. Ao digitar o CNPJ da Vasp, companhia aérea falida, apareceram 540 processos com a indicação do local e fase de tramitação, além do nome do juiz responsável por cada caso.

Para o secretário-geral do CNJ, Fernando Florido Marcondes, o sistema será uma ferramenta para planejar o Judiciário. "Será possível verificar quantos processos existem em cada vara e quais os tipos de ação que são mais recorrentes em determinadas regiões do país", afirmou.

O sistema começa a funcionar hoje com 33 milhões de processos do Distrito Federal e de sete Estados - São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Sana Catarina, Alagoas, Mato Grosso e Amazonas. O objetivo é que ele tenha todos os 70 milhões de ações em tramitação no país. Posteriormente, o CNJ também quer ampliar o sistema com as informações das juntas comerciais.

Fonte: Valor Econômico

Estados da "guerra dos portos" são que mais importam da China e Coreia

SÃO PAULO - Os produtos asiáticos "made in" China e Coreia do Sul são os que mais aproveitam os incentivos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para as importações. Os produtos chineses são os mais desembarcados nos Estados do Espírito Santo e de Santa Catarina. No Estado de Goiás, o país de origem mais importante das importações é a Coreia. Os três Estados são reconhecidos como os que mais concedem benefícios fiscais do imposto para importação e são apontados como os que mais perderiam com a unificação do ICMS interestadual para produtos comprados do exterior.

Em Santa Catarina, entre os diversos países de origem, os produtos da China lideraram os desembarques no ano passado. As mercadorias chinesas representaram 26,75% do valor total importado pelo Estado em 2011. A participação é bem maior que a fatia de 14,5% ocupada pelos produtos chineses na importação total brasileira no ano passado. No Espírito Santo, o principal país de origem dos produtos desembarcados em 2011 também foi a China, com 23,14%. Em Goiás, a origem mais importante foi a Coreia do Sul, com 32,47% do total de importados que entraram pelo Estado. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento (Mdic).

Entre os Estados, São Paulo é o mais representativo nas importações. Em território paulista foram desembaraçados no ano passado 36,32% das importações brasileiras. Reunidos, Espírito Santo, Goiás e Santa Catarina representam apenas 13,8% da importação do Brasil. Mesmo assim esses três Estados são portas de entrada representativas para os produtos da China e da Coreia, dois países que nos últimos anos avançaram na pauta de importação do país.

Juntos, Santa Catarina e Espírito Santo desembarcaram no ano passado US$ 6,46 bilhões em produtos originários da China. O valor significa 19,7% do total de produtos chineses importados pelo Brasil em 2011. Ao lado de Goiás, Espírito Santo também contribui de forma representativa como local de desembaraço para mercadorias vindas da Coreia do Sul. Por meio dos dois Estados foram importados US$ 3,5 bilhões em produtos coreanos em 2011, o que significa 35% do total desembarcado no Brasil com origem coreana.

José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), acredita que a grande representatividade de Santa Catarina e do Espírito Santo nos desembarques de produtos chineses pode ser explicada pela pauta de importação originada desses países e também pela maior competitividade dada pelos incentivos de ICMS.

Os produtos chineses, lembra, já possuem a vantagem de uma moeda desvalorizada em relação ao dólar, o que estimula a exportação. "Com a vantagem do incentivo fiscal, o preço fica muito competitivo, o que pode resultar em menor preço ou margem de lucro maior ao importador."

No caso da grande participação coreana nos desembarques em Goiás, diz Castro, a explicação pode ser a Hyundai, que está estabelecida em território goiano. O principal item da pauta da importação por Goiás são os veículos. No ano passado foram desembarcados em Goiás US$ 1,86 bilhão em produtos vindos da Coreia. Desse total, US$ 1,71 bilhão foram de veículos. Os automóveis também são o item mais importante da pauta de importação capixaba, dentro da qual os principais fornecedores são a China e a Coreia. O segundo item são os combustíveis minerais comprados principalmente dos Estados Unidos. Em Santa Catarina, apesar de a China ser a origem mais representativa nos valores desembarcados, o item isolado mais importante da pauta é cobre chileno. Os produtos made in China mais representativos desembarcados em Santa Catarina são máquinas e aparelhos elétricos, o que inclui televisores e aparelhos de som. Outro item importante são reatores e caldeiras.

"Os benefícios fiscais de ICMS causam distorção porque fazem o produto desembarcar em determinado local, desde que o incentivo supere o custo logístico", diz Clóvis Panzarini, da CP Consultores. Para ele a unificação da alíquota interestadual do imposto pode resolver a distorção. Com essa alteração, diz, sobra pouca margem de manobra para os Estados concederem incentivos. Panzarini refere-se à proposta de resolução do Senado para unificar e reduzir o ICMS interestadual aplicado para importados. Atualmente esse imposto é de 7% ou 12%, conforme o Estado de destino. A proposta em discussão é a unificação a 4%. Atualmente, diz Panzarini, nas vendas interestaduais a São Paulo, o Estado de origem tributa formalmente a operação a 12%, mas dá um crédito para o importador que chega a 9%. A alíquota efetiva fica em 3%.

"Se a alíquota interestadual for de 4%, os Estados podem devolver ao importador o correspondente a três pontos percentuais, mas isso pode não ser suficiente porque há o custo logístico. O Estado vai atrair a importação se for mais competitivo em infraestrutura."

(Marta Watanabe | Valor)

segunda-feira, 9 de abril de 2012

'Guerra dos portos' estimula compras do exterior

SÃO PAULO - A chamada "guerra dos portos", como está sendo chamada a competição de alguns Estados pela atração de volume maior de importações mediante vantagens fiscais, constitui um fator a mais a acentuar as compras externas de aço. Não há estatísticas sobre as quantidades do produto que entraram no país estimuladas por essa facilidade, mas estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) mostra que nos Estados que concedem tal benefício as importações de mercadorias diversas cresceram 648% entre 2001 e 2011, enquanto naqueles que não o fazem a entrada de bens importados aumentou 252% no período. Na conta dos estragos, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) calcula que o produtor nacional chega a pagar o dobro de ICMS em relação ao que pagam produtos importados, mesmo quando revendidos no país.

O problema tem mobilizado o setor de aço. "Não posso aceitar que os importados paguem menos impostos do que os produtos fabricados no Brasil", tem reagido o presidente do conselho de administração da Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, que considera a "guerra dos portos" um "artifício ilegal". Para Carlos Loureiro, presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda) e Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Produtos Siderúrgicos (Sindisider), os incentivos beneficiam o produtor de fora.

Segundo o diretor de assuntos tributários e trabalhistas do Sindisider, Newton Roberto Longo, esses produtos chegam ao mercado nacional muitas vezes com preços inferiores aos custos de produção das usinas nacionais.

Os Estados de Santa Catarina e Espírito Santo se tornaram mais conhecidos na concessão desses benefícios. Mas, segundo a Fiesp, estima-se que a lista chegue a pelo menos dez Estados, com Pernambuco, Paraná, Goiás, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Sergipe, Espírito Santo e Alagoas.

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a importação de máquinas por Santa Catarina, entre janeiro e setembro de 2011, atingiram US$ 1,72 bilhão, ante US$ 381 milhões em 2006. "O produto importado ganha de 9% de ICMS. Quem produz máquinas no Brasil paga 18% de ICMS. Quem importa esses bens por Santa Catarina ou Espírito Santo, paga 3%", diz José Velloso, vice-presidente da Abimaq.

Há várias propostas para resolver o problema, que reduzem sensivelmente a diferença de preços das importações. O principal projeto em discussão no Congresso, do senador Romero Jucá, segundo fontes da indústria, cria distorções que incentivam a maquiagem de produtos e desestimula setores de alto valor agregado. Essa proposta prevê alíquota interestadual zero para importados. Para a Fiesp, uma proposta de ICM interestadual de 4% para todos os produtos, importados ou não, é a mais viável. (GC)

Fonte: Valor Econômico

EUA terão novos consulados em Belo Horizonte e Porto Alegre

WASHINGTON - O governo dos Estados Unidos vai abrir dois novos consulados no Brasil: em Belo Horizonte e Porto Alegre. O anúncio foi feito hoje pela secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, durante abertura de um seminário em Washington, DC.

Além da embaixada em Brasília, os Estados Unidos têm consulados em São Paulo, Rio de Janeiro e Recife.
A secretária de Estado americana disse que o Brasil é um “parceiro responsável”, que tem aumentado sua influência nas questões ligadas à estabilidade e segurança globais.
 
“Enfrentamos desafios comuns, seja em nossa região ou além dela, e o Brasil é um parceiro responsável. Acredito que essa relação servirá para estabilizar o nosso hemisfério, nossas economias e alcançar ainda mais longe”, afirmou Clinton durante abertura de seminário em que empresários e autoridades brasileiras e americanas se reuniram em Washington.

O Valor, em sua edição impressa de hoje, publicou que os EUA aumentariam o número de postos de concessão de vistos no Brasil.

Modelo
A chefe da diplomacia dos Estados Unidos evitou qualquer assunto polêmico – seja na área econômica ou política, mas não poupou elogios ao Brasil. Para ela, os programas sociais que têm ajudado a reduzir a probreza são um “modelo”, a presidente Dilma Roussef uma “líder extraordinária” e a trajetória econômica recente “uma história de sucesso inspiradora”.

Segundo Hillary, Brasil e China são os dois países onde a demanda por serviços consulares cresce acima da capacidade atual do Departamento de Estado.

Ela não deu detalhes sobre quando as novas unidades de concessão de vistos começarão a funcionar e classificou a iniciativa como um sinal da expansão nos laços entre os dois países.

“Estamos tentando facilitar o processo de obtenção dos vistos, facilitar viagens entre os dois países e reduzir o número de barreiras”, disse a secretária.

(Leandra Peres | Valor)

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Comércio exterior critica pacote e vê protecionismo

RIO - O presidente da Associação de Comércio Exterior no Brasil (AEB), José Augusto de Castro, criticou duramente as medidas de incentivo à exportação anunciadas nesta terça-feira pelo governo. "Não posso nem dizer que as medidas têm boas intenções porque não têm alcance suficiente para mudar o cenário atual."

O governo, segundo ele, não atacou nenhuma das causas que limitam o crescimento das exportações. Por isso, previu, o efeito do anúncio para o setor será "muito pequeno". "Se é que terá algum impacto", destacou.

Para Castro, as medidas são apenas "retalhos" do que seria necessário para dar competitividade às exportações diante de um real valorizado. "Continuamos aguardando medidas que ataquem as causas do problema. O governo está sempre mexendo nos efeitos."

O executivo admite que, como grandes empregadores, os setores beneficiados pelo Plano Brasil Maior devem ter algum impacto positivo nos custos de pessoal com a desoneração da folha de pagamento, mas adianta que a medida, por si só, não garante uma reversão do cenário atual.

A decisão do governo de ampliar o crédito para o setor também não recebeu elogios do presidente da AEB. Pelo contrário, ele é taxativo ao dizer que só há necessidade de mais linhas de financiamento quando o exportador consegue vender o produto.

Para Castro, o governo deveria estar preocupado em reduzir a carga tributária ou acelerar investimentos em infraestrutura para conseguir dar mais competitividade ao setor externo.

A decisão de sobretaxar as importações tampouco escapou de críticas. O presidente da AEB classificou a medida de protecionista e disse que pode gerar questionamentos. "A OMC (Organização Mundial do Comércio) é clara. Não se pode ter tributação diferentes entre produtos importados e nacionais."

A sobretaxa às importações foi classificada como "lamentável" pelo presidente da Associação Brasileira de Empresas de Comércio Exterior (Abece), Ivan Ramalho. Ex-secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior de 2005 a 2010, Ramalho concorda com Castro que o aumento na cobrança do PIS e da Cofins sobre importados é uma medida protecionista que levará a questionamentos da comunidade internacional.

De acordo com Ramalho, o tema do protecionismo ganhou, no Plano Brasil Maior, uma dimensão mais relevante que a discussão sobre estímulo à produção nacional e investimentos. Para o dirigente, sobretaxar importações, em vez de estimular a indústria nacional, vai prejudicar a produção no País, já que cerca de 80% do que é importado pelo Brasil corresponde a insumos e componentes para a própria indústria. "Em última análise, a medida vai prejudicar a própria indústria brasileira."

Ramalho prevê uma avalanche de processos internacionais contra a sobretaxação de importados. "O Brasil vai ser tachado de protecionista e vai sofrer processos lá fora. O País fica vulnerável a ações e retaliações da comunidade internacional", diz. ./ COLABOROU WLADIMIR D’ANDRADE

Fonte: Estadão

Foram publicadas, no Diário Oficial da União de hoje, 04/04, as medidas provisórias com os tratamentos anunciados pelo governo federal para dar novo impulso à economia.

O novo regime tributário do setor automotivo para o período de 2013 a 2017 vai conceder descontos no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para montadoras que investirem no Brasil, modifica o cálculo de conteúdo nacional e cria um incentivo efetivo para pesquisa e desenvolvimento no País, ao premiar a inovação com corte no preço.
Como base do regime de incentivos à pesquisa e desenvolvimento, o governo decidiu estender pelos próximos cinco anos o aumento de 30 pontos porcentuais de IPI adotado em 2011, conforme antecipou o Estado no mês passado. A diferença, agora, é que as montadoras terão de cumprir um número maior de regras para escapar da alíquota.
As empresas que prometerem instalação de fábricas no Brasil também terão direito a um crédito de IPI, mas só farão uso desses recursos quando estiverem produzindo o automóvel em território nacional. O governo criou uma tabela de exigências que as montadoras, instaladas ou não no País, precisam cumprir para ganharem pontos e escaparem do IPI mais alto. Os requisitos variam com o tempo, são mais brandos em 2013 e se tornam mais duros paulatinamente até 2017.
Com a mudança, o governo tenta evitar questionamentos na Organização Mundial de Comércio (OMC) sobre a alta de IPI, ao mesmo tempo em que traça uma estratégia para o que deseja da indústria automobilística.
Segundo a presidente Dilma Rousseff, o regime fornece "defesa" e não representa "protecionismo". "A nossa preocupação com a criação de um regime automotivo não é uma questão de protecionismo, mas de defesa comercial."
Uma montadora precisa cumprir três de quatro exigências para ganhar um desconto no IPI, que será calculado caso a caso: 1) investir no mínimo 0,15% do faturamento operacional bruto em pesquisa e inovação; 2) destinar outros 0,5% da receita operacional bruta para investimentos em engenharia e tecnologia industrial básica (TIB), 3) fazer no Brasil 8 de 12 etapas de fabricação de automóveis e 4) incluir nos veículos uma etiqueta com informações sobre eficiência energética e emissões de gases. Na prática, portanto, mesmo que uma montadora não transfira toda a sua produção para o Brasil, ela poderá se beneficiar de um imposto menor.
Ainda assim, o desconto no IPI não abrangerá o total de 30 pontos porcentuais. Para obter esse benefício, a empresa precisa comprar "insumos estratégicos", ou peças e partes nacionais, em volume definido pelo governo. As montadoras que elevarem os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, engenharia e TIB poderão receber um desconto adicional de 2 pontos porcentuais no IPI.
As montadoras que prometerem fábrica no País poderão importar um volume de carros definido por cotas pelo governo, cujo pagamento de IPI será transformado em crédito a ser utilizado quando a linha de montagem estiver pronta e o carro for fabricado no Brasil. / EQUIPE.

Fonte: Estadão

OS NOVOS PROGRAMAS DE INCENTIVO DO GOVERNO FEDERAL

Foram publicadas, no Diário Oficial da União de hoje, 04/04, as medidas provisórias com os tratamentos anunciados pelo governo federal para dar novo impulso à economia.
De acordo com Medida Provisória nº 563, foi alterada a alíquota das contribuições previdenciárias sobre a folha de salários devidas pelas empresas que especifica, instituído o Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores, o Regime Especial de Tributação do Programa Nacional de Banda Larga para Implantação de Redes de Telecomunicações, o Regime Especial de Incentivo a Computadores para Uso Educacional.
Também foram criados os Programas Nacionais de Apoio à Atenção Oncológica e da Saúde da Pessoa com Deficiência, restabelecido o Programa Um Computador por Aluno e alterado o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores.
Já a Medida Provisória nº 564 promove alteração na Lei nº 11.529/07, para incluir setores no Programa Revitaliza do BNDES. Também dispõe sobre financiamento às exportações indiretas e autoriza o Poder Executivo a criar a Agência Brasileira Gestora de Fundos e Garantias e a União a participar de fundos dedicados a garantir operações de comércio exterior ou projetos de infraestrutura de grande vulto.
O pacote divulgado pelo governo também foi publicado por meio de decretos, como o que estabelece os limites para a concessão de equalização de juros amparadas pelo Programa de Financiamento às Exportações (Decreto nº 7.710/12). Já o Decreto nº 7.709/12, dispõe sobre a aplicação de margem de preferência nas licitações realizadas no âmbito da Administração Pública Federal para aquisição de retroescavadeiras e motoniveladoras.
Também foi instituída Comissão Tripartite de Acompanhamento e Avaliação da Desoneração da Folha de Pagamentos, conforme consta do Decreto nº 7.711/12.
Foram aprovados, ainda, decretos sobre a criação do Comitê de Financiamento e Garantia das Exportações (7.714) e regulamentação do Programa de Inclusão Digital (7.715).

Fonte: Aduaneiras

Governo decide elevar exigência de conteúdo nacional em veículos

O governo decidiu elevar em dez pontos percentuais a quantidade mínima de componentes locais (do Mercosul) exigida para veículos produzidos no Brasil. Os que não contemplarem a exigência serão sobretaxados com IPI mais elevado. A medida, que entrará em vigor em 2013, toca numa ferida do setor. Os detalhes não apareceram durante o anúncio do pacote. Mas vieram à tona, numa entrevista da equipe da Fazenda, ao fim da tarde.

O governo também declarou sua forma de calcular de conteúdo local. A regra em vigor no país hoje exige um mínimo de 65% para o veículo ser considerado nacional e, assim, não ser sobretaxado com adicional de 30 pontos no IPI. No cálculo atual, o percentual inclui não apenas peças como outros gastos de produção, incluindo até propaganda. O setor usa, de fato, 45% de peças locais (produzidas no Mercosul), segundo o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa.

A partir de 2013, o conteúdo nacional passará a levar em conta apenas componentes e o percentual mínimo será elevado em dez pontos, passando para 55%.

Com a medida, o governo atende reivindicação da indústria de autopeças e dos sindicatos de metalúrgicos, que passaram os últimos meses tentando convencer o governo a reformular o cálculo. Mas contraria as montadoras, que evitavam a mudança.

O novo regime automotivo embute a boa intenção do governo de aproximar o nível de desenvolvimento tecnológico das filiais brasileiras de seus países de origem. Essas empresas terão de investir o mínimo de 0,15% da receita operacional bruta em inovação em 2013 e 0,5% em 2017. Está previsto também aumento no número mínimo de processos fabris. O incentivo vai vigorar entre 2013 e 2017

O programa não é, no entanto, ainda claro sobre mecanismos a serem adotados não só para aplicar as novas regras como também fiscalizar o cumprimento das exigências atreladas aos benefícios fiscais.
A equipe econômica deverá ter muito trabalho, daqui para a frente, para organizar os detalhes ainda não totalmente esclarecidos, como o formato das cotas de importação para as empresas com planos de produzir no país.

O tratamento para esse período de transição era o mais aguardado pelo setor porque já empresas que já iniciaram o processo de construção de novas fábricas - como as chinesas Chery e JAC e a coreana Hyundai - e outras que esperavam o novo regime para anunciar novos projetos industriais, como BMW e Chrysler. Para esse grupo, foi preciso também criar uma forma de compensar o aumento de IPI.

A solução encontrada pelo governo será a geração de créditos tributários durante a construção de uma nova fábrica. Esse crédito, que se refere aos 30 pontos percentuais adicionais nos carros com conteúdo local inferior a 65% hoje, ficará limitado à metade da capacidade de produção prevista no projeto. Mas a forma de calcular capacidade na indústria automobilística é infinita. Número de turnos, produtividade, características dos veículos e quantidade de processos repassados a terceiros são alguns dos referenciais usados.

Os dirigentes do setor passaram o dia em reuniões e apenas as entidades representativas se pronunciaram por meio de notas. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) considerou a adoção do novo regime automotivo "positiva como fator de valorização da produção nacional, de estímulo à inovação e desenvolvimento tecnológico e incremento dos investimentos da indústria automobilística no país". "O Sindipeças apoia qualquer ação governamental que valorize a indústria instalada no Brasil e amenize os efeitos de políticas econômicas que tiram nossa competitividade de um dia para outro, sem que possamos reagir", disse, em nota, o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Autopeças, Paulo Butori.

Os importadores de marcas sem planos para construir no país adiaram uma posição para hoje. O grupo, representado pela Associação Nacional das Empresas Importadoras (Abeiva), não foi atendido no pedido de ter uma cota de 180 mil veículos por ano sem a taxa adicional de IPI.

Já em Santa Catarina, o governador Raimundo Colombo (PSD), avaliou que o anúncio foi "muito importante" para o Estado e que poderá destravar negociação com BMW. A BMW aguardava as novas regras. Em recente entrevista ao "Diário Catarinense", o presidente da BMW no Brasil, Jörg Henning, disse que a empresa queria, durante a fase entre o compromisso de erguer uma fábrica até o início da produção, uma flexibilização do IPI. As declarações iniciais servem para mostrar que as empresas ficaram satisfeitas com as medidas. Resta ao governo organizar as mudanças que podem, definitivamente, assegurar ao Brasil posição de destaque entre os maiores fabricantes de veículos do planeta.


Fonte: Valor Econôomico

Comitês de auditoria estatutários

Os comitês de auditoria estatutários podem ser uma boa alternativa aos chamados conselhos fiscais "turbinados" para empresas brasileiras listadas na New York Stock Exchange (NYSE)
A fim de atender às exigências do Sarbanes-Oxley Act of 2002 (SOX) e da NYSE referentes a comitês de auditoria, uma parte significativa das companhias brasileiras listadas na NYSE mantém o chamado conselho fiscal "turbinado" - um conselho fiscal atribuído de poderes adicionais para supervisionar os auditores independentes. Uma alternativa para o cumprimento dessas regras podem ser os comitês de auditoria estatutários, criados recentemente pela Instrução CVM nº 509, de 2011.

Como regra geral, empresas listadas na NYSE devem manter um comitê de auditoria nos moldes americanos, sendo formado por conselheiros de administração independentes e dotados das demais atribuições previstas na SOX e nas regras da NYSE. Com base na Rule 10A-3 do Securities Exchange Act de 1934, emissores estrangeiros estão isentos dessa exigência caso mantenham um órgão social que, dentre outros requisitos, seja expressamente estabelecido de acordo com as regras locais, seja independente da administração e tenha as atribuições de um comitê de auditoria americano (na medida do que for permitido pelas regras locais). A Securities and Exchange Commission (SEC) reconheceu que as empresas brasileiras dotadas de conselhos fiscais com esses poderes adicionais - os chamados conselhos fiscais "turbinados" - se enquadram em tal isenção.

Dada a isenção, poucas empresas brasileiras optaram por manter um comitê de auditoria nos moldes americanos. Uma das razões para tanto foi a dificuldade de cumprimento das regras relativas à composição do comitê de auditoria exclusivamente por conselheiros independentes. Para empresas brasileiras, onde tipicamente existe um grupo de controle definido, é comum que a maioria dos conselheiros seja considerada afiliada ao emissor ou receba remuneração que afete sua independência, resultando em um número limitado de conselheiros independentes disponíveis. Esse problema é ainda maior se levarmos em conta o tamanho reduzido dos conselhos de administração de companhias brasileiras quando comparadas a companhias americanas e a falta de qualificação técnica ou mesmo indisponibilidade dos poucos conselheiros que possam ser qualificados como independentes para participar do comitê de auditoria nos moldes americanos.

O comitê estatutário tem o diferencial de ser um órgão distinto do conselho fiscal

Por outro lado, muitos acreditam que o conselho fiscal "turbinado" - cujos membros não podem ser administradores - não configura o órgão mais apropriado para desempenhar as funções de um comitê de auditoria. Por exemplo, um conselheiro, por ter maior familiaridade com o negócio da companhia ou participar de suas decisões estratégicas, pode estar melhor preparado para identificar e solucionar, juntamente com os auditores, problemas relativos a gestão de riscos ou controles internos. A familiaridade desse conselheiro com o mercado pode trazer também grandes benefícios na melhora da divulgação de informações financeiras pela companhia. Ademais, apesar de ser tecnicamente separado da diretoria e do conselho de administração, o conselho fiscal é normalmente composto, em sua maioria, por representantes eleitos pelo acionista controlador, o que pode afetar em tese a sua independência.

É provável, portanto, que a opção de várias empresas brasileiras pelo conselho fiscal "turbinado" seja resultado das dificuldades para o cumprimento dos requisitos relativos aos comitês de auditoria nos moldes americanos, e não da crença de que o conselho fiscal "turbinado" esteja dotado das melhores ferramentas para o exercício das funções de um comitê de auditoria. A Instrução CVM nº 509/11, todavia, oferece uma nova alternativa ao permitir que companhias brasileiras instalem comitês de auditoria estatutários. Os membros de tais comitês não necessitam ser exclusivamente conselheiros independentes, bastando que a maioria deles (conselheiros ou não) seja independente e que apenas um deles seja membro do conselho de administração, sem participação na diretoria (pelos motivos citados, todavia, é importante que as companhias brasileiras considerem a inclusão de mais de um conselheiro em seus comitês de auditoria estatutários).

Devido principalmente a essa flexibilidade em sua composição, o comitê de auditoria estatutário pode ser mais facilmente criado por empresas brasileiras do que o comitê de auditoria nos moldes americanos. Além disso, esse comitê tem o diferencial de ser um órgão social distinto do conselho fiscal, sendo vinculado ao conselho de administração e dedicando-se especialmente a monitorar a auditoria, a contabilização e a divulgação de informações financeiras das companhias.

Espera-se que o comitê de auditoria estatutário se enquadre na mesma isenção da SOX na qual o conselho fiscal "turbinado" hoje se enquadra. Para se certificarem disso, todavia, é recomendável que as primeiras empresas brasileiras que desejem adotar o comitê de auditoria estatutário realizem uma consulta prévia junto a seus consultores jurídicos americanos.

Filipe B. Areno é advogado sênior do Skadden, Arps, Slate, Meagher & Flom LLP (Nova York)
Este artigo reflete as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações


Fonte: Valor Econôomico

Minas reduz alíquotas de ICMS e perdoa dívidas de até R$ 5 mil

O governo de Estado de Minas Gerais publicou ontem dois decretos que trazem uma série de benefícios aos contribuintes. Em um deles, a Fazenda concede perdão a débitos de ICMS de até R$ 5 mil. O outro dá isenção ou reduz, nas operações dentro do Estado, a alíquota de ICMS de produtos dos setores de combustíveis, construção civil e eletroeletrônicos.

Instituído pelo Decreto nº 45.947, o perdão inclui débitos inscritos em dívida ativa até 31 de outubro de 2011. Para obter o benefício, os contribuintes deverão, no entanto, desistir de ações judiciais que questionam essas dívidas.

O perdão alcança a multa isolada, o saldo remanescente de parcelamento em curso, além das custas judiciais e honorários advocatícios relativos a processos judiciais. Porém, não autoriza a devolução, a restituição ou a compensação de ICMS já recolhido. Para a apuração do valor do débito, o contribuinte deve considerar o devido a título de ICMS, multas e juros, atualizado até 28 de dezembro de 2011.

A redução de ICMS para os setores de combustíveis, construção civil e eletroeletrônicos está prevista no Decreto nº 45.946. A alíquota do álcool para fins carburantes, usado por transportadoras, por exemplo, passou de 22% para 19%. A medida é retroativa a 1º de janeiro.

Incorporadoras e construtoras também foram beneficiadas. Há isenção de ICMS para areia, brita, lajes pré-moldadas, tijolos cerâmicos, telhas cerâmicas, tijoleiras de cerâmica (peças ocas para tetos e pavimentos), tapa-vistas de cerâmica (complemento de tijoleira), manilhas, conexões cerâmicas e concreto de cimento ou asfáltico destinado a construtora para emprego em obra pública para manutenção, reparo ou construção de rodovias federais estaduais.

Em relação a esses produtos, há expressa autorização do governo para a manutenção de créditos de ICMS quando a saída do produto do Estado for isenta do imposto, segundo Marcelo Jabour, diretor da Lex Legis Consultoria Tributária. "Porém, o princípio da não cumulatividade prevista na Constituição obriga, salvo disposição em contrário, o estorno dos créditos sempre que a saída subsequente é amparada pela isenção", diz.

A medida é comemorada pelo setor da construção. "Qualquer desoneração é bem-vinda porque estamos com alta demanda por imóveis e há um problema de guerra fiscal entre Estados. Às vezes, o construtor compra produtos de outras regiões, que oferecem alíquotas menores", diz Cantidio Alvim Drumond, diretor da área de materiais e tecnologia do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG).

A desoneração, porém, não deve ter impacto no preço dos imóveis, segundo o diretor. "Não deve ter impacto porque está alta a demanda por imóveis. Além disso, estamos enfrentando também o problema do alto custo da mão de obra", explica Drumond.

Apesar das benesses, uma mudança na tributação dos programas de computador, válida a partir de janeiro de 2013, poderá elevar a carga tributária do produto. Até então, a regra determinava a incidência do ICMS apenas sobre o valor do suporte magnético do software. O Decreto nº 45.946 revoga essa previsão, constante no regulamento do ICMS do Estado, mas não diz como vai tributar o produto. "Com isso, o Estado sinaliza que irá tributar integralmente o valor correspondente ao meio físico e ao conteúdo, elevando a carga tributária desse produto", afirma Jabour. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu no sentido de que, no caso de software de prateleira, comercializado em lojas, incide o ICMS sobre o meio físico e o conteúdo do programa de computador.

Fonte: Valor Econôomico

Cônsul dos EUA elogia combate à pirataria

cônsul dos Estados Unidos de propriedade intelectual para a América Latina elogiou ontem o que chamou de avanços que o Brasil conseguiu nos últimos anos no combate à pirataria de softwares. "O Brasil conseguiu reduzir muito o percentual de uso de [softwares] piratas. Há uma tendência de mudança muito positiva", disse ontem Albert Keyak, em Belo Horizonte. Ele foi o principal palestrante do seminário "Inovação, Competitividade na Exportação de Manufaturados e as Leis da Concorrência Desleal", promovido pelo Valor.

Na avaliação dele, a mudança de visão em relação à propriedade intelectual no Brasil pode ser verificada nos hábitos de muitos consumidores. "As pessoas estão entendendo que piratear é algo errado, roubar conteúdo da internet é algo errado, baixar filmes e músicas [em sites que não respeitam o direito autoral] é algo errado."

Na década de 90, 91% dos softwares no Brasil eram piratas; hoje a marca é de 54%, segundo dados citados pelo diretor executivo da Associação Brasileira das Empresas de Softwares (ABES), Anselmo Gentile.

"O Brasil está numa posição muito boa e está avançando", disse Keyak. Perguntado sobre como outros países da América Latina vêm lidando com o tema, o cônsul disse apenas que "eles têm ainda muito a fazer".

Um dos temas tratados no encontro foi o da adoção de novas regras pelos governos de vários Estados americanos para proteger suas indústrias de competição considerada injusta. Já são 36 Estados que possuem regras em vigor para criar barreiras à importação de manufaturados cuja produção tenha infringido leis ambientais, trabalhistas e de propriedade intelectual, por exemplo. "Esse é um movimento crescente e logo poderá se tornar uma política nacional", avalia Gentile.

Os EUA vêm adotando mudanças no seu sistema de patentes para garantir que empresas e pessoas físicas tenham num prazo mais curto seus inventos protegidos. Para Gentile, empresas brasileiras precisam ver isso como uma oportunidade e ganhar mercado americano, enquanto concorrentes de outras economias ainda têm dificuldades em reduzir, como o Brasil, o uso de softwares piratas.

Apesar dos avanços no Brasil no reconhecimento das patentes, a representante da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Diana de Mello Jungmann, coordenadora de propriedade intelectual para inovação da indústria, diz que ainda é preciso reforçar a ideia de que "a propriedade intelectual é o marco da nova competitividade".

Fonte: Valor Econôomico

Liminar garante sigilo bancário de contribuinte

Um empresário de João Pessoa (PA) conseguiu na Justiça que a Receita Federal deixe de usar extratos bancários fornecidos pelo HSBC e Itaú Unibanco para fiscalizar sua declaração de Imposto de Renda (IR) de 2008.

Na liminar, o juiz João Bosco Medeiros de Sousa, da 1 ª Vara Federal da capital da Paraíba, proibiu também que o Fisco busque informações financeiras do contribuinte diretamente em outra instituição financeira. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) preferiu não comentar o caso, mas ainda poderá recorrer da decisão.

A pedido da Receita, o HSBC e o Itaú Unibanco haviam fornecido os extratos de aplicações financeiras, das movimentações de conta corrente e cópias de documentos de depósitos e pagamentos efetuados pelo empresário entre janeiro e dezembro de 2008. O objetivo era comparar as receitas financeiras com a declaração do IR do contribuinte, e verificar a existência de débitos fiscais. A requisição foi feita a partir do artigo 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, que permite à Receita o exame de dados bancários após a abertura da fiscalização.

Para o juiz que analisou o caso, as informações só poderiam ser repassadas com ordem do Poder Judiciário. Segundo o magistrado, a solicitação direta do Fisco, sem autorização judicial, viola o direito de sigilo de correspondência e conversas telefônicas, garantida pela Constituição Federal. "Com isso, a prova é ilegal e, como tal, não pode ser utilizada para as autuações fiscais contra o contribuinte", diz o advogado do empresário, Gerson Salomão Leite, sócio do Mendonça, Salomão & Toscano Advocacia.

A decisão da Justiça da Paraíba segue posicionamento do Supremo Tribunal Federal (STF) que, em 2010, decidiu que o sigilo bancário só pode ser quebrado com ordem judicial. Segundo advogados, o julgamento por maioria apertada de votos - cinco de nove ministros foram favoráveis à tese do contribuinte - e o fato de a decisão não ter efeito vinculante fazem com que o precedente ainda seja pouco adotado nos tribunais. "A aplicação ainda é tímida no país, especialmente, na Justiça Federal", afirma Salomão Leite. O advogado cita que, no fim de 2011, a Justiça Federal da Paraíba negou um pedido de anulação de um débito fiscal com base na ilegalidade da prova. De acordo com Luiz Roberto Peroba, as últimas decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) já têm refletido o posicionamento do Supremo.

Em 2009, o STF reconheceu a repercussão geral do tema a partir do recurso de um contribuinte paulista. O processo ainda será julgado. Na ocasião, os ministros analisarão se os bancos devem fornecer informações financeiras diretamente ao Fisco, sem prévia autorização da Justiça. A decisão da Corte servirá de orientação para os demais tribunais do país.

Fonte: Valor Econôomico

TJ-SP impede Fazenda de excluir empresas do Simples Nacional

Decisões do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) estão impedindo a Fazenda paulista de excluir empresas do Simples Nacional por meio do cruzamento de valores movimentados com cartão de crédito e receitas declaradas. Os desembargadores têm considerado ilícitas as provas utilizadas para demonstrar suposta omissão de faturamento e sonegação de impostos. Eles entendem que essa manobra configura quebra de sigilo bancário e que o contribuinte não pode ser excluído do regime antes da abertura de uma fiscalização.

Com as informações repassadas pelas operadoras de cartões de crédito e débito, a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo excluiu 114 micro e pequenas empresas no ano passado. Em 2010, foram 52 exclusões. A partir da mesma estratégia, a Receita Federal já retirou 30 empresas do regime neste ano. De acordo com a Fisco paulista, os dados financeiros e a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) permitem identificar indícios de sonegação e otimizar o trabalho dos fiscais. "O uso de informações eletrônicas nas fiscalizações se intensifica a cada ano", afirma o órgão por meio de nota.

A medida, porém, tem sido considerada ilegal pelo TJ-SP. Em decisão recente, a Corte determinou o reenquadramento da empresa de autopeças Silvia Teresa Faidiga Martins. O estabelecimento de pequeno porte havia sido excluído do Simples porque as receitas de vendas com cartão de crédito teriam superado o limite de faturamento anual de R$ 2,4 milhões - fixado, na época, para as pequenas empresas aproveitarem as alíquotas reduzidas e o recolhimento unificado de tributos. Mas a 10ª Câmara de Direito Público desconsiderou a prova obtida com a quebra do sigilo bancário do contribuinte. "Não há qualquer informação de que a agravada tivesse instaurado qualquer procedimento fiscal contra a agravante e, portanto, injustificada a quebra do sigilo", diz na decisão o desembargador Paulo Galizia, relator do caso.

Em dezembro, a Churrascaria Irmãos Chieza, de São José do Rio Preto, conseguiu manter a liminar que lhe dava direito de permanecer no Simples. Na ocasião, a 6ª Câmara do TJ-SP aceitou o argumento do contribuinte de que havia sido excluído sem antes ter a chance de se defender. Com a decisão, está suspensa temporariamente a cobrança de R$ 320 mil em ICMS, referente aos anos de 2008 e 2009. Em primeira instância, depois de ter liminar negada, a empresa obteve recentemente sentença que confirmou a ilegalidade da quebra do sigilo bancário. A Procuradoria-Geral do Estado (PGE) espera ser notificada da decisão para entrar com recurso.

"O Fisco intima as operadoras de cartão e pura e simplesmente exclui os contribuintes ", afirma o advogado Marco Aurelio Marchiori, que defende a churrascaria. Ele possui outro caso similar em seu escritório. Um outro restaurante do interior paulista obteve liminar na primeira instância para permanecer no regime e suspender uma autuação fiscal de R$ 230 mil. Segundo Marchiori, diversos estabelecimentos comerciais de São José do Rio Preto foram desenquadrados do regime. "Muitos não quiseram contestar a ilegalidade, e preferiram parcelar seus débitos."

A Fazenda de São Paulo defende que não há ilegalidade em buscar diretamente os dados financeiros do contribuinte. A medida, segundo o Fisco, está prevista na Lei estadual nº 12.294, de 2006, e na Portaria CAT nº 87, do mesmo ano. Ainda segundo o órgão, a norma federal que determina a abertura de procedimento fiscal antes da quebra do sigilo não é aplicada para as administradores de cartão de crédito. Isso porque elas não seriam instituições financeiras.

Mas há também decisões desfavoráveis aos contribuintes. Em janeiro, a empresa Fornitura - O Mundo dos Relógios, de Campinas, teve o pedido para voltar ao Simples negado pela 7ª Câmara de Direito Público do TJ-SP. Por unanimidade, os desembargadores entenderam que não houve quebra de sigilo bancário. "É o cruzamento de dados entre as informações prestadas pelas administradoras de cartões e aqueles apresentados pelo contribuinte que permite saber qual a receita tributável", diz o relator do caso, desembargador Luiz Sérgio Fernandes de Souza, acrescentando que o Código Tributário Nacional garante "amplos poderes" à administração pública para exigir informações dos bancos.

No caso da empresa Silvia Teresa Faidiga Martins, a decisão de primeira instância também foi favorável à Fazenda. Ao analisar pedido de liminar, a juíza Laís Helena Bresser Lang Amaral, da 2ª Vara da Fazenda Pública, entendeu que o direito ao sigilo poderia ser relativizado nos casos de interesse público, como nas apurações de sonegação fiscal. Além disso, segundo a juíza, as operações de cartão de crédito não estariam protegidas pelo sigilo bancário.

O advogado Edson Pinto, que defende a empresa, contesta a decisão. "O direito de defesa deve ser respeitado. Caso contrário, qualquer mal entendido vai gerar exclusão do Simples", afirma. A acusação de omissão de receita é referente ao período de janeiro de 2008 a dezembro de 2009.

Para advogados, a tese dos contribuintes tem chance de prosperar nos tribunais superiores. Em 2010, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o sigilo bancário só pode ser quebrado com ordem judicial. Os ministros entenderam que é inconstitucional permitir que a Receita Federal peça dados do contribuinte diretamente às instituições financeiras. "Se não há fiscalização aberta e determinação judicial, a quebra do sigilo é ilegal", diz o tributarista Luiz Roberto Peroba, sócio do Pinheiro Neto Advogados.

Segundo José Antenor Nogueira da Rocha, sócio do Nogueira da Rocha Advogados, o Fisco viola garantias básicas. "O grande problema é avançar sobre um direito constitucionalmente garantido, que é o da privacidade", afirma.


Fonte: Valor Econôomico

segunda-feira, 2 de abril de 2012

WCO and INCB join forces to enhance international drug control efforts

Brussels, 30 March 2012
Press Release
The World Customs Organization (WCO) and the Vienna-based International Narcotics Control Board (INCB) signed a Memorandum of Understanding to formalize their long-standing cooperation with a view to enhancing international drug control efforts within their respective mandates, thus ensuring a better environment and a safer world for citizens across the globe.
Cooperation between the WCO and the INCB will focus on ensuring the legitimate trade and use of internationally controlled substances, the effective implementation of United Nations treaties and resolutions on narcotic drugs, psychotropic substances and precursor chemicals, and the elaboration of joint strategies for swift action against known and emerging forms of diversion of controlled substances.
”The INCB highly values the role of the WCO in facilitating the exchange of information and sharing of best practices among national Customs authorities, who play a critical role in the functioning of the international drug control system by monitoring global trade in controlled substances,” noted INCB President, Professor Hamid Ghodse. “The Board looks forward to the enhancement of its very constructive cooperation with the WCO, which is now formalized by this MOU,” he added.
“The WCO and the Customs community are committed to continue working with the INCB to combat illicit drug and precursor chemical trafficking at borders, thus protecting the health and safety of the world’s citizens,” said WCO Secretary General, Kunio Mikuriya. “This MOU is a powerful tool in our efforts to deal effectively with threats posed by the illicit drugs trade, while securing and facilitating the movement of legitimate goods,” he added.
Under the MOU, both the WCO and the INCB also undertake to support, within their mandates, global initiatives aimed at monitoring international trade in narcotic drugs, psychotropic substances and precursor chemicals, and to promote and facilitate technical assistance and training programmes in these areas, notably through the sharing of best practices and the exchange of information and intelligence.
The INCB is the independent and quasi-judicial United Nations body established in 1968, with a mandate to monitor and promote the implementation of the 1961 Single Convention on Narcotic Drugs, the 1971 Convention on Psychotropic Substances, and the 1988 United Nations Convention against Illicit Traffic in Narcotic Drugs and Psychotropic Substances.
Established in 1952 and now the global centre of Customs expertise, the WCO also assists Customs authorities worldwide to implement drug control policies and law enforcement programmes that contribute to the fight against the illicit trafficking of narcotic drugs, psychotropic substances and precursor chemicals, of which the WCO Customs Enforcement Network (CEN) plays a key role.
More information
WCO – World Customs Organization

WCO and INCB join forces to enhance international drug control efforts

Brussels, 30 March 2012
Press Release
The World Customs Organization (WCO) and the Vienna-based International Narcotics Control Board (INCB) signed a Memorandum of Understanding to formalize their long-standing cooperation with a view to enhancing international drug control efforts within their respective mandates, thus ensuring a better environment and a safer world for citizens across the globe.
Cooperation between the WCO and the INCB will focus on ensuring the legitimate trade and use of internationally controlled substances, the effective implementation of United Nations treaties and resolutions on narcotic drugs, psychotropic substances and precursor chemicals, and the elaboration of joint strategies for swift action against known and emerging forms of diversion of controlled substances.
”The INCB highly values the role of the WCO in facilitating the exchange of information and sharing of best practices among national Customs authorities, who play a critical role in the functioning of the international drug control system by monitoring global trade in controlled substances,” noted INCB President, Professor Hamid Ghodse. “The Board looks forward to the enhancement of its very constructive cooperation with the WCO, which is now formalized by this MOU,” he added.
“The WCO and the Customs community are committed to continue working with the INCB to combat illicit drug and precursor chemical trafficking at borders, thus protecting the health and safety of the world’s citizens,” said WCO Secretary General, Kunio Mikuriya. “This MOU is a powerful tool in our efforts to deal effectively with threats posed by the illicit drugs trade, while securing and facilitating the movement of legitimate goods,” he added.
Under the MOU, both the WCO and the INCB also undertake to support, within their mandates, global initiatives aimed at monitoring international trade in narcotic drugs, psychotropic substances and precursor chemicals, and to promote and facilitate technical assistance and training programmes in these areas, notably through the sharing of best practices and the exchange of information and intelligence.
The INCB is the independent and quasi-judicial United Nations body established in 1968, with a mandate to monitor and promote the implementation of the 1961 Single Convention on Narcotic Drugs, the 1971 Convention on Psychotropic Substances, and the 1988 United Nations Convention against Illicit Traffic in Narcotic Drugs and Psychotropic Substances.
Established in 1952 and now the global centre of Customs expertise, the WCO also assists Customs authorities worldwide to implement drug control policies and law enforcement programmes that contribute to the fight against the illicit trafficking of narcotic drugs, psychotropic substances and precursor chemicals, of which the WCO Customs Enforcement Network (CEN) plays a key role.
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WCO – World Customs Organization

Começam a faltar produtos na Argentina

A onda de frio nos últimos dias em Buenos Aires, com temperaturas de sete graus já em março, aumentou o descompasso entre o que se vê em algumas vitrines e o que se observa nas calçadas da cidade. Enquanto os pedestres passam agasalhados, os manequins ainda ostentam roupas leves, de verão. "Todas as coleções estão atrasadas", disse uma lojista que não se identificou, na avenida Las Heras, região norte da cidade.

De modo sutil, os sinais de desabastecimento na capital argentina vão se mostrando depois da criação de uma série de barreiras comerciais pelo governo com praticamente uma novidade por semana: a desta sexta-feira foi a introdução de um controle fotográfico nos contêineres, para verificar se a carga retida condiz com as declarações de antecipação das importações, mecanismo criado em 1º de fevereiro que barrou cerca de 30% das compras do país.

Segundo o diretor de relações institucionais da Câmara de Importadores da Argentina (Cira), Miguel Ponce, das 164 mil declarações apresentadas desde 1º de fevereiro, 51 mil ainda não foram liberadas. A barreira motivou a apresentação de um documento no comitê de bens da Organização Mundial de Comércio (OMC) por parte da União Europeia, dos Estados Unidos e de outros 14 países.

As barreiras afetam também a indústria nacional: no caso do vestuário, por exemplo, a confecção é feita com tecido importado, que está retido. Mas o desabastecimento é mais grave nos itens que já estavam com problemas de importação antes da criação das mais recentes barreiras. "Entre 2008 e 2011, aumentou muito a quantidade de produtos colocados no regime de licenças não automáticas. Quando a área de comércio exterior saiu do Ministério da Indústria para uma secretaria própria na órbita do secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, havia uma herança de licenças vencidas e não renovadas. O resultado é que temos encomendas barradas desde agosto", disse Ponce.

"Não temos mais como vender a linha Fischer-Price, os fabricados pela Mattel e os produtos Chicco. Ainda conseguimos oferecer os brinquedos mais baratos", afirmou o gerente da loja de brinquedos El Mundo del Juguete no centro da cidade. As vitrines da loja são arrumadas para que os clarões na oferta não sejam percebidos. "Nem fazemos mais pedidos de liquidificadores, porque sabemos que não seremos atendidos", comentou um vendedor da rede de varejo Falabella, na mesma região.
A falta de liquidificadores começou há anos na Argentina, dentro de uma estratégia protecionista da ministra da Indústria, Débora Giorgi, de fomentar a produção nacional. Diversos produtos foram colocados sob regime de licenças não automáticas. Em seguida, integrantes do governo procuraram deixar claro para os importadores que as mercadorias só seriam liberadas se eles exportassem. O mecanismo, totalmente informal, ficou conhecido como "uno por uno". A mesma situação acontece com outras utilidades domésticas, como os ferros de passar roupa.

A indústria nacional cresceu, mas não a ponto de suprir o mercado doméstico, gerando o desabastecimento. A produção de ferros de passar roupa, por exemplo, passou de 450 mil para 1,7 milhão de unidades entre 2007 e 2011. O aumento não compensou, entretanto, a queda das importações, que despencaram de 2,3 milhões de unidades para 400 mil nesse período, de acordo com levantamento publicado no jornal "El Cronista". O resultado final é que a oferta de ferros caiu de 2,7 milhões de unidades há cinco anos para 2,1 milhões de unidades agora.

A indústria argentina tem dificuldades estruturais para prescindir das importações. "O governo queria resultados rápidos para a política de substituição de importações e mirou no produto acabado, e não em suas peças. Desse modo, a geladeira é nacional, mas o compressor é brasileiro; ou o liquidificador é argentino, mas o copo é chinês, e assim por diante. E a produção de um eletrodoméstico acabado é só uma operação de montagem. Mais complicado é produzir os componentes", disse o economista Mauricio Claveri, especialista em comércio exterior da consultoria Abeceb.

A dificuldade de importar também afeta o comércio de alimentos. Na área de suínos, segundo a avaliação da Câmara Argentina da Indústria de Chacinados, a produção caiu cerca de 20% quando as importações de carne suína provenientes do Brasil foram reduzidas de US$ 9,5 milhões em janeiro para apenas US$ 1,5 milhão em fevereiro.

Segundo dirigentes da entidade, seria necessário um aumento do rebanho suíno de 30% para que a Argentina se tornasse completamente autossuficiente em presuntos, salsichas e outros embutidos. Mas isso traria um complicador, já que a demanda existe para apenas determinadas partes do porco, próprias para o processamento, e não para outras. Com a barreira criada, a indústria priorizou a fabricação das linhas com maior valor agregado. Ficou difícil de encontrar as mais baratas.

Nas gôndolas de supermercados, contudo, a falta de determinados produtos ainda afeta pouco o vendedor ou o consumidor. "Aqui vendemos 6.000 itens. Se o consumidor não encontra determinada marca de sabonete ou iogurte ou algum presunto que está acostumado a encontrar, leva outro. O que não dá para pensar é oferecer importado. Só o que tem no estoque", disse o secretário-geral da Casrech (câmara argentina de supermercados de proprietários de origem chinesa), Zheng Ji Cong.

Fonte: Valor Econômico

STJ afirma não ter competência para julgar monopólio postal dos Correios

Depois de definir, por meio de recurso repetitivo, que os municípios podem entregar diretamente os carnês de IPTU, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) entendeu que não é competente para analisar a questão do monopólio postal da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). No caso julgado recentemente pela 2ª Turma, os ministros ratificaram, por unanimidade, uma decisão monocrática do ministro Castro Meira em recurso da empresa pública contra o município de Itaobim (MG).

No caso julgado pela 2ª Turma, os Correios argumentaram que a entrega direta do IPTU pelo município afrontaria a Constituição, que estabelece o monopólio postal. Por isso, os ministros entenderam não ter competência para analisar a questão. No julgamento do recurso repetitivo, porém, o centro da discussão foi a Lei Postal (nº 6.538, de 1978), e não a Constituição. Com base nessa lei, a 1ª Seção do STJ, em fevereiro de 2011, deu ganho de causa às prefeituras. Os ministros analisaram um recurso dos Correios contra o município mineiro de Timóteo.

"O STJ disse que, no caso do município de Itaobim, a argumentação apresentada é constitucional e, portanto, de competência do Supremo Tribunal Federal", afirma o assessor jurídico da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Braz Pesce Russo. O setor também discute na Justiça a quebra do monopólio postal dos Correios.

No julgamento do recurso repetitivo que autorizou a entrega de carnês de IPTU, o STJ entendeu, com base no artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN), que "os atos que integram o procedimento de constituição do crédito tributário são exclusivos do ente federativo competente, o que inclui a notificação do contribuinte". "Os ministros do STJ consideraram que o lançamento do tributo é de competência exclusiva do município. Naquela ocasião, não foi discutida a questão constitucional", diz Russo.

As distribuidoras de energia elétrica também discutem na Justiça a entrega direta de faturas aos consumidores, sem intermediação da empresa pública. Três empresas do setor - Centrais Elétricas de Rondônia (Ceron), Eletroacre (subsidiária da Eletrobras no Acre) e Centrais Elétricas do Pará (Celpa) - obtiveram recentemente decisões favoráveis no Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região. Essa discussão já foi levada ao STJ, mas ainda não há julgamentos.

A questão do monopólio postal também está na pauta dos ministros do Supremo, que reconheceram repercussão geral em recurso que discute se os municípios podem entregar diretamente aos contribuintes guias de arrecadação tributária.

Por meio de nota, os Correios informam que não foram notificados oficialmente da decisão do STJ envolvendo o município mineiro de Itaobim e lembram que já recorreram ao Supremo para discutir a quebra do monopólio postal.

Fonte: Valor Econômico

Alíquota de 1% traz ganho para indústria

SÃO PAULO - A contribuição para a previdência social da indústria de transformação foi de R$ 31,6 bilhões em 2009, o que representou pouco mais de 1,7% do faturamento bruto do setor (sem descontar exportações), de acordo com a última Pesquisa Industrial Anual (PIA) disponível. Mesmo se considerados os efeitos da crise econômica mundial, que derrubou o faturamento das indústrias no fim do ano, o comportamento em 2008 havia sido parecido. Naquele ano, os 20% sobre a folha pagos pelas empresas do setor ao INSS corresponderam a 1,55% da receita bruta, segundo os dados da PIA, produzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para economistas consultados pelo Valor, os números indicam que a ampliação da desoneração da folha de pagamentos em troca de alíquota de 1% sobre o faturamento da indústria para mais setores trará alívio real na carga tributária dos setores beneficiados, mas é uma solução de curto prazo e não resolve o problema de competitividade que assola a indústria brasileira. A medida deverá ser anunciada na terça-feira, como antecipou na semana passada o Valor.
Por outro lado, a desoneração implica em uma conta adicional para o Tesouro, que deverá ressarcir o INSS da diferença entre o valor dos 20% de contribuição à Previdência e o valor correspondente a 1% (ou outro percentual a ser definido) do faturamento bruto, descontadas as exportações. Em parte, as receitas podem ser recompostas pelo aumento dos tributos sobre a importação, dizem os economistas, mas as contas não são claras.

Para o economista Mansueto de Almeida, a desoneração é boa notícia, mas para reduzir mesmo o fardo dos impostos, a dispensa de contribuição sobre a folha não deveria ser trocada pela taxa sobre faturamento. "Só que isso é conflitante com as restrições fiscais. Geramos superávit nos últimos três anos, mas não há qualquer certeza de cumprimento nos próximos anos. O regime fiscal não gera certezas e, por isso, não dá folga para que o governo possa, de fato, diminuir a carga tributária".

Felipe Salto, economista da Tendências Consultoria, concorda. "Desonerar sem contrapartida não é possível, seria muito custoso", afirma. Ainda assim, diz, há espaço para benefícios tributários, com a ajuda de receitas extraordinárias e alguma contenção das despesas discricionárias. O economista Fernando Montero, da corretora Convenção, também partilha da ideia de que a boa desoneração é aquela que obriga o governo a cortar despesas. Ele não vê riscos de que as medidas em estudo impeçam o governo federal de executar o superávit primário. Em parte, a perspectiva de cumprimento vem da capacidade que o governo tem demonstrado de aumentar receitas.

A professora Margarida Gutierrez, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), argumenta que a política fiscal permite desonerações neste momento. Apenas no primeiro bimestre, o governo central cumpriu 25% da meta de superávit primário (a economia que o governo faz para pagar juros) do ano. "Ainda que a arrecadação esteja desacelerando, o governo tem margem de manobra. A maior parte dos impostos incide sobre atividade, o que significa dizer que se a economia retomar ritmo, o efeito para a arrecadação será multiplicado. O problema é no médio e longo prazos", diz.

A medida, afirma, vai contra o projeto de reduzir o rombo da previdência social, para o qual um passo importante foi dado na semana passada, com a aprovação da Fundação de Previdência Complementar dos Servidores Públicos Federais (Funpresp). "Isso torna o orçamento confuso e pouco transparente", diz ela.

Os especialistas questionam também o critério para seleção de setores. "Mudar a cobrança apenas para alguns setores é ruim porque depende de escolhas do governo. Deveria ser geral, mas o custo impede", afirma Salto, da Tendências.

O economista José Roberto Afonso avalia que, até agora, houve um "critério técnico, claro e objetivo": aqueles mais expostos a concorrência internacional. Ele avalia, porém, que "nem 30% da indústria precisaria ser desonerada" e que isso, no curto prazo, poderia até ser feito sem a alíquota sobre o faturamento porque o ganho geral de receita já tem dado muita folga". As medidas, segundo antecipou o Valor, devem contemplar nove setores da indústria, além da redução da alíquota da contribuição previdenciária de segmentos já desonerados do INSS.

Mesmo com o incentivo, Mansueto de Almeida questiona a capacidade de retomada da produção em alguns segmentos. Ele ressalta que em Bangladesh, para onde a produção têxtil está se deslocando, o salário mínimo é de cerca de US$ 40. No Brasil, sem encargos, o valor seria de cerca de US$ 325.

Montero levanta outra preocupação: a inflação. Ele não consegue vislumbrar medidas que aumentem a competitividade da indústria no curto prazo sem riscos para preços. Teoricamente, os preços domésticos poderiam cair se a "economia" com o INSS for repassada aos preços. Por outro lado, a tributação deve elevar o custo dos importados, além dos efeitos de um de câmbio menos apreciado.

Tainara Machado e Denise Neumann | Valor