quarta-feira, 23 de março de 2011

Portos vão receber R$ 17,8 bilhões


O montante deve ser aplicado no segmento, no Brasil, até 2014, de acordo com levantamento do BNDES. A demanda por terminais de contêineres impulsionará parte dos investimentos.

São Paulo – Os portos brasileiros devem receber investimentos de R$ 17,8 bilhões de 2011 a 2014, de acordo com levantamento feito pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Necessidade do aumento de terminais de contêineres, obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), principalmente em dragagem dos canais de acesso aos portos, e aplicações de capital privado em terminais portuários estão entre os principais motivadores dos investimentos, explica o gerente de logística do Departamento de Logística da Área de Infraestrutura do BNDES, Dalmo Marchetti.

O crescimento dos terminais de contêineres, por exemplo, é maior do que o avanço da economia brasileira, explica Marchetti. “Dez por cento ano nos últimos dez anos”. Devem ganhar investimentos nesta área os portos de Paranaguá (Paraná), Santos (São Paulo), Rio Grande (Rio Grande do Sul), Suape (Pernambuco). "O comércio internacional brasileiro está aumentando e também cargas que antes não eram conteinerizadas passaram a ser", diz Marchetti, lembrando de produtos com plásticos granulados e café.

Os terminais de contêineres, devem ser, inclusive, uma das áreas, no setor de portos, atrativas para estrangeiros. Atualmente, afirma Marchetti, o Brasil tem uma taxa de participação de estrangeiros, no setor, bem menor do que a mundial. Um das explicações, acredita o executivo, é o fato de que o maior movimento portuário não está na América do Sul e sim na rota Estados Unidos, Europa e Oriente Médio. Por essa participação ainda ser um tanto baixa, porém, é que Marchetti crê que há oportunidade para crescer.

Já existem, no entanto, várias operadoras internacionais atuando no Brasil. Uma delas é a DPWorld, de Dubai, dona majoritária, junto com a Odebrecht, do terminal Embraport, em Santos. O empreendimento está em obras e deve entrar em operação em 2013 com investimentos de R$ 2,3 bilhões. Foi projetado para ser o maior da América Latina e será operado pela DPWorld. Também lideranças de outros estados brasileiros tiveram conversas com empresários árabes do setor, na intenção de atrair investimentos da região.

Do total que deve ser aplicado na área, metade deverá vir de linhas de financiamento do BNDES, segundo Marchetti. As linhas, segundo ele, estão disponíveis tanto para empresas brasileiras quanto para estrangeiras, desde que tenham uma base no Brasil. Há, inclusive, possibilidade de participação externa no desenvolvimento de portos. O decreto 6620, de 2008, autorizou a iniciativa privada a ingressar nesta área. Isso será feito, porém, por meio de licitação. O gerente do BNDES acredita que deve ocorrer até 2014.

O mapeamento feito pelo BNDES indica que dos investimentos previstos de R$ 17,8 bilhões, 28% irá para construção de portos públicos, outros 26% para investimentos públicos diretos gerais por meio do PAC, 25% em aumento da oferta de movimentação de contêineres e 21% na modernização e aumento de capacidade dos terminais já existentes. A instituição financeira destaca, em seu estudo, o forte crescimento nas projeções para inversões entre 2011 e 2014, de 27% ao ano.
Fonte: (ANBA)

09/03/2011 - 08:07

quarta-feira, 9 de março de 2011

Importações crescem o triplo das exportações

Avanço das importações equivale a uma perda de 2,8 pontos porcentuais no PIB brasileiro, segundo cálculo de especialistas

04 de março de 2011 | 0h 00

Irany Tereza - O Estado de S.Paulo
O resultado previsível do crescimento das importações em 2010, que avançou o triplo das exportações, não deve se repetir este ano, na avaliação de especialistas. Pelos dados do PIB, as compras externas do País dispararam 36,2% no ano, resultado descolado das exportações, que subiram apenas 11,5%. O setor externo, no cálculo final, acabou por contribuir negativamente com 2,8 pontos porcentuais no crescimento econômico do ano.
"Isso já era esperado desde o início do ano passado. Mas, para 2011, ao contrário, a previsão é de que as exportações cresçam mais do que as importações", diz o presidente da Associação de Comércio Exterior (AEB), José Augusto de Castro. Ele ressalta que a reversão não tende a apresentar margem tão larga de diferença entre compra e venda, mas será um "quadro mais realista".
Com câmbio favorável e demanda interna aquecida após o freio de 2009, o Brasil importou principalmente equipamentos de comunicação, material eletrônico e elétrico, produtos siderúrgicos, automotivos, químicos e derivados de petróleo.
Segundo Castro, as medidas de contenção à demanda adotadas pelo governo no fim de 2010 já começam a surtir efeito: "Em janeiro e fevereiro as exportações cresceram mais que as importações e estamos prevendo para 2011 superávit de US$ 26 bilhões, bem mais folgado que os US$ 20 bilhões de 2010. O único receio é com o comportamento mundial, agora com essa instabilidade no norte da África e Oriente Médio".
A economista Lia Vals, da Fundação Getúlio Vargas, chama a atenção para o fato de os dados do PIB serem calculados em reais, o que gera diferença na avaliação. Em dólares, lembra ela, o avanço das importações foi bem grande, de 42%, mas as exportações também tiveram aumento forte, de 32%. A diferença ficou em 10 pontos porcentuais, e não os quase 25 pontos em reais.
"O aumento das importações chega a ser positivo para alguns setores industriais, que reduzem o custo de capital, o que leva a um aumento de competitividade", diz ela, lembrando que o Brasil tem adotado medidas de salvaguarda comercial com sucesso.
O coordenador de Contas Nacionais do IBGE, Roberto Luis Olinto Ramos, foi evasivo ao avaliar os efeitos da valorização cambial no PIB. "Para julgar se é benéfico ou não, precisaríamos de mais análises e informações. Não podemos classificar como bom ou como ruim", afirma.
A contabilidade das exportações e importações no PIB é diferente da realizada para a elaboração da balança comercial. No PIB, entram bens e serviços e as variações porcentuais dizem respeito ao volume. Já na balança comercial entram só bens e o registro é em valores, com grande influência dos preços./ COLABOROU ALESSANDRA SARAIVA