quarta-feira, 14 de março de 2012

DISCUSSÃO SOBRE 'GUERRA DOS PORTOS' DIVIDE OPINIÕES DO SETOR

Salvaguardas, guerra dos portos, incentivos à indústria. Estes e outros temas fizeram parte das discussões entre a indústria têxtil reunida durante a Tex Fair, maior feira comercial sul-americana do setor, realizada de 6 a 9 de março, no Parque Vila Germânica, em Blumenau (SC). A resolução 72, que normatiza a cobrança de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) entre estados foi o tema mais quente e dividiu opiniões dos membros do setor.
Para o presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis de Blumenau (Sintex), Ulrich Kuhn, misturaram os incentivos estaduais com incentivos de importação. O Sintex e o governo do estado de Santa Catarina chegaram à conclusão de que enquanto os outros estados tiverem mecanismos, Santa Catarina terá também. "Pela sua eficiência portuária, em termos de carga de contêiner, aliada aos incentivos e Santa Catarina virou a bola da vez", diz
A entidade acredita que o fato é inexorável e defende a modulação da aplicação das medidas para 3 a 4 anos, como estava previsto em 2011, que reduziu a taxa interestadual de 12 % para 4%, mas aplicada de forma gradativa. "Todos os estados vão perder algum tipo de atividade econômica", explica Kuhn. Segundo ele, há uma preocupação ainda com a mudança de importação para outros portos, com o fim dos incentivos. "Se uma empresa importava por Santa Catarina por causa dos incentivos e passa a importar por Santos, vai virar o caos, pois Santos não tem a mesma infraestrutura", afirma.
O Sintex é contra também as salvaguardas e foi muito criticado pela postura que tomou publicamente. "Mas a entidade tem que caminhar pela maioria da opinião de suas associadas. Somos contra porque não é viável. Nós não somos contra a importação normal e sim a 'predatória'", acrescenta.
Segundo o diretor superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), Fernando Pimentel, a entidade trabalha com os sindicatos e empresas para o resgate da competitividade da indústria e a legítima defesa comercial. "Nosso objetivo é recuperar 1% do comércio mundial, que tínhamos em meados da década de 80, o que significaria exportar, hoje, US$ 6 bilhões e não US$ 1,5 bilhão", explica. De acordo com Pimentel, a guerra dos portos é um absurdo e os incentivos concedidos por mais de 10 estados ao produto importado não tem sentido. "Nós nunca escondemos aos governantes e lideranças locais de Santa Catarina que nosso objetivo é acabar com a guerra fiscal dos portos e estamos nesta cruzada. Eu não conheço nenhum país do mundo que dê incentivo ao produto importado que não dá ao produto local, travestido de uma necessidade de arrecadação."

Fonte: Diário do Comércio e Indústria

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