Salvaguardas,
guerra dos portos, incentivos à indústria. Estes e outros temas fizeram parte
das discussões entre a indústria têxtil reunida durante a Tex Fair, maior feira
comercial sul-americana do setor, realizada de 6 a 9 de março, no Parque Vila
Germânica, em Blumenau (SC). A resolução 72, que normatiza a cobrança de Imposto
sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) entre estados foi o tema mais
quente e dividiu opiniões dos membros do setor.
Para o presidente
do Sindicato das Indústrias Têxteis de Blumenau (Sintex), Ulrich Kuhn,
misturaram os incentivos estaduais com incentivos de importação. O Sintex e o
governo do estado de Santa Catarina chegaram à conclusão de que enquanto os
outros estados tiverem mecanismos, Santa Catarina terá também. "Pela sua
eficiência portuária, em termos de carga de contêiner, aliada aos incentivos e
Santa Catarina virou a bola da vez", diz
A entidade acredita
que o fato é inexorável e defende a modulação da aplicação das medidas para 3 a
4 anos, como estava previsto em 2011, que reduziu a taxa interestadual de 12 %
para 4%, mas aplicada de forma gradativa. "Todos os estados vão perder algum
tipo de atividade econômica", explica Kuhn. Segundo ele, há uma preocupação
ainda com a mudança de importação para outros portos, com o fim dos incentivos.
"Se uma empresa importava por Santa Catarina por causa dos incentivos e passa a
importar por Santos, vai virar o caos, pois Santos não tem a mesma
infraestrutura", afirma.
O Sintex é contra
também as salvaguardas e foi muito criticado pela postura que tomou
publicamente. "Mas a entidade tem que caminhar pela maioria da opinião de suas
associadas. Somos contra porque não é viável. Nós não somos contra a importação
normal e sim a 'predatória'", acrescenta.
Segundo o diretor
superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção
(ABIT), Fernando Pimentel, a entidade trabalha com os sindicatos e empresas para
o resgate da competitividade da indústria e a legítima defesa comercial. "Nosso
objetivo é recuperar 1% do comércio mundial, que tínhamos em meados da década de
80, o que significaria exportar, hoje, US$ 6 bilhões e não US$ 1,5 bilhão",
explica. De acordo com Pimentel, a guerra dos portos é um absurdo e os
incentivos concedidos por mais de 10 estados ao produto importado não tem
sentido. "Nós nunca escondemos aos governantes e lideranças locais de Santa
Catarina que nosso objetivo é acabar com a guerra fiscal dos portos e estamos
nesta cruzada. Eu não conheço nenhum país do mundo que dê incentivo ao produto
importado que não dá ao produto local, travestido de uma necessidade de
arrecadação."
Fonte: Diário do Comércio e Indústria
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