quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

BRASIL SE CONSOLIDA ENTRE OS GIGANTES MUNDIAIS EM FUNDOS

A indústria de fundos de investimento nacional chega ao fim de 2011 com R$ 1,925 trilhão de patrimônio líquido sob gestão e se consolida como o sexto maior mercado mundial. Segundo o a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima), o Brasil cresceu 82,7% nos últimos quatro anos, para 4,3% de participação (market share, em inglês) ao final do primeiro semestre de 2011, e deve manter o mesmo ritmo, alcançando a França, terceira colocada, nos próximos três ou quatro anos. Na divisão por alocação de recursos, Renda Fixa permanece como a principal até 2013.
Segundo o vice-presidente da associação, Demosthenes Pinho Neto, a indústria brasileira possui um centro de administração de recursos robusto e reforça cada vez mais sua importância. "Observamos a tendência do Brasil de crescer mais do que a média, o que deve elevar o market share".
O vice-presidente explica que atualmente a frente do Brasil está a Irlanda e Luxemburgo, que são centros de estruturação de produtos para determinados segmentos. "Passar a Irlanda é factível e se tivermos sorte isto deve ocorrer já nos dados consolidados do final de 2011." De acordo com a Anbima, o Brasil possui US$ 1,1 trilhão em patrimônio líquido, a Irlanda US$ 1,15 trilhão e a França US$ 1,7 trilhão. "Em primeiro lugar está os Estados Unidos, seguido pela Austrália. A França devemos alcançar em três ou quatro anos", conclui Pinho .
Para 2012, o executivo arrisca um palpite pessoal e se baseia na projeção de crescimento econômico para este ano. "O PIB [Produto Interno Bruto] deve crescer entre 3% e 3,5% neste ano, mais o que está sendo feito quanto à política de juros e monetária, o País deve ter crescimento de liquidez e de forma segura. Diante desses motivos, projeto o crescimento do patrimônio líquido da indústria maior ou igual a 2011."
No total, o patrimônio líquido (PL) em fundos de investimento evoluiu 16,07% na comparação com 2010, para R$ 1,925 trilhão. Na comparação com 2005, a expansão chega a 160,51%.
No que se refere a captação líquida, o ano de 2011 apresentou uma queda de 25,49%, para R$ 84,928 bilhões. Apesar da redução, a Anbima relaciona o resultado como favorável diante de um cenário externo de incertezas e queda do segmento de renda variável (ações). "O movimento foi afetado pela mudança na classificação de um fundo da categoria Multimercados, que fechou o ano com resgate líquido de R$ 47 bilhões, para a categoria Reda Fixa, no valor de R$ 28 bilhões", explica a associação, em boletim.
No acumulado do ano, o número total de fundos cresceu 11%, para 11,895 mil; 1,174 mil foram abertos em 2011, e 812, encerrados. Ao todo, há ainda 10,8 milhões de contas.
A categoria Renda Fixa permanece com a maior captação líquida, de R$ 40,006 bilhões, em 2011. O vice-presidente da Anbima explica que essa tendência deve continuar nos próximos anos. "A taxa de juros foi para um patamar elevado, que tornou a renda fixa atraente, e a tendência de queda da Selic em 2012, fechando em 9,75%, não assusta o investidor porque continua elevada. Em 2012 e 2013 não vejo um gráfico como dos países desenvolvidos [onde aplicações em renda variável são superiores a renda fixa]."
Pinho Neto também enfatiza como destaque de 2011 o segmento de previdência, que concentrou captação líquida de 25,350 bilhões e R$ 231 bilhões de patrimônio líquido, o que reflete a consolidação da estabilidade econômica e o crescimento da poupança de longo prazo sob gestão profissional. "É uma tendência para os próximos anos."
No que se refere a categoria multimercado, que totaliza captação líquida negativa de 46,787 bilhões, a associação projeta um atual ano ainda difícil. "O investidor entra em 2012 cauteloso."
Taxas de administração
As taxas de administração permanecem em queda nos próximos anos, segundo Pinho Neto. Referenciado DI possui a taxa média ponderada de 1,30% ao ano, enquanto em 2006 era de 1,72%. A média ponderada na Renda Fixa fica em 1,13% em 2011, queda diante do 1,26% cobrado em 2006.
As maiores taxas de administração são nas categorias Multimercado e Ações. A primeira possui atualmente média ponderada de 1,83%, queda ante 2010, quando estava em 1,86%, mas elevação ante 2006, que foi de 1,75%. Já em ações a média ponderada está em 2,16%, ante 2,20% de 2010 e 2,13 há cinco anos. "A tendência é declinante e deve se manter nos próximos dois anos, mas com variações de acordo com o produto", finaliza o vice-presidente.

Fonte: Diário do Comércio e Indústria

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