O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) poderá definir, ainda no primeiro trimestre do ano, mudanças nas condições das linhas de pré-embarque, que financiam a produção do bem a ser exportado. A mexida nessas linhas, para torná-las mais atrativas ao exportador, vai depender da evolução do cenário econômico internacional. Se as empresas tiverem dificuldades de acessar as linhas dos bancos comerciais, o BNDES tende a melhorar o custo do pré-embarque, aumentar o prazo e até incluir novos produtos na lista de beneficiados pela linha de crédito.
O banco vem monitorando o mercado de crédito à exportação, mas até agora não há definição sobre o assunto. As mudanças no pré-embarque, se confirmadas, vão influenciar os desembolsos do BNDES no apoio à exportação em 2012. Por enquanto, o banco não divulga projeções sobre desembolsos à exportação para este ano, número que vai depender de eventuais estímulos ao pré-embarque. Em 2008, o banco já havia melhorado o acesso às linhas de exportação em resposta à crise.
Representante de um agente financeiro avaliou que se o banco voltasse a abrir o pré-embarque para bens de consumo, como fez em 2010, as empresas contratariam todo o dinheiro disponível. Mas a fonte disse não acreditar que a medida se repita. De janeiro a novembro de 2011, o BNDES-Exim, braço de exportação do BNDES, desembolsou US$ 5,37 bilhões, cerca de metade do que foi desembolsado no mesmo período de 2010.
A queda foi motivada justamente porque o BNDES não renovou em 2011 a linha do pré-embarque, com taxas menores, para bens de consumo dentro do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), como havia feito em 2010. Do total desembolsado até novembro do ano passado, US$ 3,43 bilhões foram para o pré-embarque e US$ 1,93 bilhão para o pós-embarque, linha que apoia a exportação brasileira com financiamento direto ao comprador ou ao fornecedor dos bens.
Em dezembro, em entrevista ao Valor, a superintendente da área de exportações do BNDES, Luciene Machado, disse que a previsão era encerrar o ano com desembolsos de cerca de R$ 11 bilhões, entre pré e pós-embarque. Em dólares, a previsão era de que os desembolsos totalizassem US$ 6,7 bilhões, dos quais US$ 4 bilhões no pré e US$ 2,7 bilhões no pós-embarque.
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