A China representa
o maior parceiro comercial do Brasil. Segundo dados do Ministério do
Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (Mdic), a corrente de comércio
entre os dois países passou de US$ 56,3 bilhões em 2010 para US$ 77,1 bilhões no
ano passado.
O principal produto
exportado para a China no ano passado foi minério de ferro, com participação de
58,63% do total de vendas para o país estrangeiro. Os artigos presentes na
exportação da China para o Brasil são mais variados e incluem principalmente
produtos manufaturados, como componentes eletrônicos.
O montante
exportado foi de US$ 44,3 bilhões e o montante importado, US$ 32,7 bilhões.
Apesar de a China ser o principal parceiro comercial do Brasil, o País ainda
representa o décimo parceiro chinês.
Para o diretor da
Prática Chinesa da KPMG no Brasil, Daniel Lau, "o Brasil ainda tem participação
modesta na pauta chinesa, mas há tendência de aumento [da participação] do
Brasil". Ele afirma que a importância do Brasil na China pode ser vista pelo
fato de o embaixador brasileiro ser considerado o terceiro no grau de
importâncias dos embaixadores no país.
Segundo o professor
da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Marcelo Zorovich, para
entendermos a relação entre os dois países temos que pensar que eles representam
economias em crescimento, a China como a primeira do mundo e o Brasil
consolidado na sexta posição. Segundo o professor, o país asiático assume a
posição de maior parceiro comercial em 2009 e a sustenta até a última coleta de
dados feita em 2011.
Na visão de Tang
Wei, diretor-geral da Câmara Brasil-China de Desenvolvimento Econômico (CBCDE),
"o volume de comercio entre os dois países vem crescendo desde 2002 ou 2003,
então, cedo ou tarde a China se tornaria o maior exportador do Brasil". Zorovich
acredita que há um desequilíbrio muito grande na relação devido a diferença no
tipo de produto que o Brasil exporta para a China e que a China compra do
Brasil. "O grande ponto é que a gente praticamente exporta commodities e compra
produtos manufaturados, esse comércio vem crescendo e acaba tendo um
desequilíbrio. A gente tem que vender mais produtos manufaturados, ai que está o
buraco", completou o especialista.
Para ele, alguns
fatores como a proteção de câmbio feita pela China e um certo protecionismo são
fatores que impedem a maior penetração do produtos nacionais no país. Dentro das
questões brasileiras o especialista aponta o alto custo Brasil, que gera baixa
competitividade dos produtos, e falta de inovação da indústria como razões para
concentração de produtos com baixo valor agregado nas exportações
brasileiras.
Daniel Lau não
concorda que o Brasil só exporte produtos de baixo valor agregado, para ele as
commodities brasileiras possuem sim um valor agregado. "Celulose, pasta de
madeira, soja você tem todo o desenvolvimento cientifico. Ao longo do tempo, os
métodos de produção evoluíram bastante", completa.
Todos os
entrevistados concordam que a China tem uma necessidade crescente de compra de
alimentos e o Brasil se consolidou como grande exportador por ter condições de
suprir parte desta necessidade. Lau explica que uma prova disso é que a inflação
chinesa do ano passado foi mais forte nos produtos alimentícios e foi
praticamente nula nos manufaturados. O professor da ESPM lembra que "a China vem
investindo não só no Brasil, mas na América Latina como um todo.
No início da
semana, o vice-presidente da República, Michel Temer, chefiou o segundo encontro
da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban).
Foi discutido com o vice-primeiro-ministro da China, Wang Qishan, questões
relacionadas com o comércio exterior como o controle de fluxo das exportações
chinesas para o Brasil.
Mercado
chinês
Para o
representante da CBCDE, a indústria brasileira deve conhecer mais a China.
"Muitos brasileiros veem o país como um supermercado. O empresário brasileiro
tem que ter coragem de investir lá fora e tem plenas condições de reverter isso,
os brasileiros são criativos e aventureiros".
Daniel Lau concorda
e afirma que "há a necessidade de ir até a China e conhecer. Precisa estar lá,
ver como funciona o mercado e buscar um parceiro para exportar", mas admite que
"não é fácil" porque o mercado chinês é muito competitivo e tem de concorrer com
produtos japoneses, asiáticos em geral e europeus.
Fonte: Diário do Comércio e Indústria
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