quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Montadoras reavaliam importação de aço após alta de IPI

As montadoras de automóveis começam a rever suas importações de aço, após o governo ter aumentado o IPI para carros com índice de nacionalização abaixo de 65%.

A Fiat e a Volks, que importam 15% e 30% de seu consumo de aço, respectivamente, mais a Peugeot-Citroën, que iria trazer no fim do ano sua primeira carga importada, estão revendo suas estratégias.

As empresas ainda não decidiram como e quando irão reduzir as compras externas e afirmam que contratos firmados não serão rompidos, mas o fato é que a importação de aço pelo setor automotivo, que já vinha em queda, deverá diminuir ainda mais.

O aço representa em média 15% dos custos totais de um automóvel. Lá fora os preços são até 25% mais baratos por conta da sobreoferta provocada pela crise mundial e pela desvalorização do dólar, entre outros fatores. Além disso, os executivos do setor automotivo argumentam que a importação é uma forma "de não ficar nas mãos de apenas um fornecedor".


Alex Argozino/Editoria de Arte/Folhapress
A Volkswagen do Brasil atingiu o pico das importações no ano passado, quando 30% de toda a sua demanda foi comprada fora do país. Já a Fiat importou não só aço, mas também pneus e rodas de alumínio.

O pico das importações de aço ocorreu em 2010, auge da sobreoferta global. Nos primeiros três meses de 2010, as compras de aço do exterior subiram 156%. Mas, ao longo de 2011, acabaram caindo.

MENOS VANTAJOSO
Segundo um executivo do setor que preferiu não ser identificado, houve alta generalizada dos preços nos últimos meses, e hoje o aço não está mais tão vantajoso lá fora --devido aos custos de logística, de estoque e de imposto de importação.

Dados do Instituto Aço Brasil apontam que a importação de aço deve fechar 2011 em 3,4 milhões de toneladas, queda de 42,4% ante 2010.

No entanto, para o instituto, as importações continuam uma ameaça, porque os fatores que induzem a entrada de aço estrangeiro persistem: o câmbio desfavorável, a guerra fiscal nos Estados e os excedentes de aço no mercado internacional.


LEILA COIMBRA

Fonte: Folha de São Paulo

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